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Política

PCP quer Governo a enfrentar francesa Vinci por novo aeroporto em Alcochete

Os comunistas defenderam da construção de um novo aeroporto internacional de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete, em vez da alternativa “Portela+Montijo”, justificando que se tratam de “terrenos inteiramente públicos e que permitem expansão”

O PCP reiterou esta quarta-feira a defesa da construção de um novo aeroporto internacional de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete, em vez da alternativa "Portela+Montijo", sublinhando que o Governo socialista deve combater os interesses da francesa Vinci.

Segundo um comunicado dos comunistas, a empresa que detém a ANA (a privatizada Aeroportos de Portugal) terá recuperado, em menos de 10 anos, os três mil milhões pagos pela exploração das infraestruturas aeroportuárias, negociadas por 50 anos com o Governo PSD/CDS-PP.

O Campo de Tiro de Alcochete situa-se maioritariamente no concelho de Benavente, cuja autarquia é liderada por Carlos Pinto Coutinho (CDU - PCP e "Verdes"). Já a Câmara Municipal do Montijo é presidida pelo socialista Nuno Canta.

"O país não pode ficar durante 50 anos sem as receitas aeroportuárias e, no final desse período, ficar também sem o Novo Aeroporto de Lisboa [NAL] (...) Para o PCP, a exigência da recuperação do controlo público da ANA (e também da TAP), cujas receitas suportariam a construção do NAL, pressupõe também que o Estado português enfrente os interesses da multinacional Vinci. É isso que se exige do atual Governo", sublinha o PCP.

Os comunistas apontam como consequência de "mais uma criminosa privatização" o "aumento das taxas e tarifas aeroportuárias", o "desinvestimento significativo na infraestrutura", a "transformação dos aeroportos numa espécie de centros comerciais, em detrimento das condições de segurança" e o "ataque aos direitos dos trabalhadores".

"Portugal precisa de um novo aeroporto internacional. A opção pela sua construção faseada no Campo de Tiro de Alcochete, cujos terrenos são inteiramente públicos e permitem expansão, é aquela que possibilita não só a continuidade da Portela (a coexistir até à conclusão do NAL), como a sua articulação com um projeto de desenvolvimento do país", lê-se no texto do PCP.

Os dirigentes comunistas defendem também a "construção de uma terceira travessia sobre o Tejo entre Lisboa e Barreiro na vertente rodoferroviária", "a introdução da alta velocidade ferroviária" e a "promoção da produção nacional (nos transportes de mercadorias - plataforma logística do Poceirão - e no setor da aviação civil)".

Em 2008, através de estudos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, o Campo de Tiro de Alcochete foi eleito como a hipótese como melhor viabilidade para o NAL, em detrimento de Alverca, Montijo, Ota-Monte Real.

Na sessão de assinatura do memorando de entendimento com a ANA sobre expansão da capacidade aeroportuária da capital, que se realizou hoje à tarde, o primeiro-ministro, António Costa, disse que a utilização do Montijo como aeroporto complementar de Lisboa é a solução de "maior viabilidade", sendo agora necessário "maximizar oportunidades" e os "ganhos" para o desenvolvimento regional.

Antes, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, tinha considerado que a utilização do Montijo como aeroporto complementar à infraestrutura de Lisboa, a partir de 2021, "é uma solução sólida" e "financeiramente comportável para o Estado".