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Política

Esquerda acusa PSD e CDS de “baixa política para destruir a CGD”

PS, BE e PCP dizem que direita está a prejudicar a capitalização da Caixa Geral de Depósitos e a alimentar polémicas porque tem o objetivo de privatizar o banco público. PSD e CDS acusam a esquerda de estar a prejudicar os trabalhos da Comissão de Inquérito à recapitalização da CGD e de construir “um muro contra a verdade”

Como era expectável, o rolo compressor das polémicas em torno da Caixa Geral de Depósitos irrompeu pela reunião plenária desta tarde no Parlamento. As declarações políticas do dia levaram o PSD e o CDS a manter na agenda a exigência de aceder a todas as comunicações entre o Ministro das Finanças e o ex-Presidente da CGD, António Domingues, para perceber se Centeno mentiu, ou não, acerca dos compromissos assumidos para isentar a anterior administração da apresentação de declarações de rendimentos e patrimónios. E a esquerda uniu-se na resposta: recusam alimentar o que dizem ser um "folhetim do vale tudo", que tem por objetivo "destruir a CGD".

"Se o que o PSD e o CDS têm feito à CGD fosse feito a um privado, já tinha ido à falência", acusou o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, pedindo que os dois partidos sejam "responsabilizados pelos prejuízos que têm causado em nome da baixa politica". "Em nome de quê atacam a CGD? Para impedir a sua capitalização?", questionou, antes de acusar os partidos da direita de "não olharem a meios nem a consequências para atingir os objetivos".

Por isso, e respondendo à intervenção do deputado social-democrata Hugo Soares - que acusou os partidos da esquerda de "falta de transparência e falta de vergonha" por impedirem o acesso da Comissão Parlamentar de Inquérito à recapitalização da CGD às comunicações entre Centeno e Domingues -, João Oliveira defendeu que o objetivo de PSD e CDS é "atribuir à CPI poderes que ela nao tem para violar a lei e direitos fundamentais de cidadãos, para continuarem a visar o objetivo de destruir a CGD".

No mesmo tom, João Paulo Correia, deputado do PS, respondeu a Hugo Soares que "vergonha é usar a baixa política para destruir a CGD".

"PSD e CDS não estão interessados na CPI. Porque tem corrido mal à direita", defendeu, insistindo na ideia de que os requerimentos apresentados pelos dois partidos da direita configuram "um ataque irresponsavel e doentio contra o governo", com o objetivo de "destruir a CGD" e "privatizar" o banco público.

Também o Bloco de Esquerda, através do deputado Moisés Ferreira questionou os objetivos da direita e citou Manuela Ferreira Leite para colocar em causa a linha seguida por PSD e CDS nas últimas semanas: "Ainda não percebi se querem dar cabo da CGD de vez ou se não querem a sua capitalização? Diga lá qual é que quer?", perguntou o deputado bloquista, antes de citar outra possibilidade. "Ou querem dar uso àquela proposta do programa eleitoral de 2011, que dizia que depois de finalizar o memorando da troika, iam dispersar capital da CGD em bolsa? É isso que querem fazer agora? Porque é que estão a fugir ao objeto da CPI?".

PSD diz que esquerda construiu "um muro contra a verdade"

As intervenções dos partidos da esquerda foram encaradas pelo deputado social-democrata Hugo Soares como um sinal de "desespero". "O que estão a querer fazer na CPI é um boicote à democracia. Querem proibir deputados de fazer perguntas e de ter acesso a documentos. Tapam os olhos ao que acontece na realidade na praça pública", argumentou.

"Tivemos hoje notícias de SMS trocados entre o Dr, António Domingues e o Dr. Mário Centeno, onde o Ministro das Finanças diz que já há acordo para o estatuto de gestor publico, que tem o 'ok' do Primeiro Ministro os senhores não dizem nada?", reiterando o pedido aos partidos da esquerda para que aprovem o acesso à correspondência e SMS trocados entre Centeno e Domingues.

"Tenham a dignidade parlamentar de permitir que se descubra toda a verdade. Vamos perceber porque é que o Dr. Mário Centeno mentiu ao país e saber se o Primeiro Ministro sabia do acordo. Temos de saber se o conteúdo dos SMS agora público é falso. Terá o Dr. Centeno também o topete de desmentir os SMS que vieram a lume?", prosseguiu Hugo Soares.

Durante a sua intervenção inicial, o deputado social-democrata tinha já acusado os partidos da esquerda de terem promovido "a construção de um muro contra a verdade" durante os trabalhos da CPI à recapitalização da CGD: por terem chumbado o objeto da CPI potestativa pedida por PSD e CDS; por terem chumbado as audições a Armando Vara ou a Manuel Bandeira; e por terem chumbado pedidos de documentos e correspondência.

Uma análise que levou o deputado João Almeida, do CDS, a lamentar aquilo que considera ser "um desequilíbrio do sistema democrático". "Para a esquerda, devíamos abster-nos de fazer perguntas porque a oposição não deve questionar", ironizou, antes de acusar PS, BE e PCP de estarem a desrespeitar, com o chumbo aos requerimentos da direita, "o regime jurídico dos inquéritos parlamentares" e a lógica de "consagrar os direitos dos partidos em minoria".

"O que está em causa é uma tentativa de uma maioria impor uma leia da rolha à minoria", completou minutos depois João Almeida, rejeitando a ideia de que "o escrutínio às responsabilidade do Governo" coloca em causa a estabilidade da CGD.