Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

BE: défice de 2,1% “é uma política contraproducente”

Marcos Borga

Mariana Mortágua defende que défice de 2,1% em 2016, anunciado esta manhã por Mário Centeno, significa que “há 1,664 mil milhões de euros” que podiam ter sido aplicados na economia portuguesa e na redução de impostos

O Bloco de Esquerda considera que os dados que apontam para que o défice português em 2016 fique nos 2,1% resultam de "uma política contraproducente". "Isto significa que estamos 0,9 pontos percentuais abaixo do que era exigido para cumprir as metas. São 1,664 mil milhões de euros, numa altura em que o investimento público é tão necessário", criticou a deputada Mariana Mortágua.

As palavras da deputada bloquista surgiram minutos depois de Mário Centeno ter anunciado, durante a sua audição na Comissão de Orçamento e Finanças, que o défice em 2016 "não será superior a 2,1%". Uma informação que Mortágua defendeu não poder "compreender como uma boa notícia".

"Isto quer dizer que há 1,664 mil milhões de euros que podiam estar a ser aplicados nas escolas, na saúde, em médicos, nos sistemas de transportes, nas carreiras congeladas na função pública, na redução de impostos e investir na economia. Mas não estão porque o Governo entende que deve ter na parede o diploma do défice. Isto parece-nos uma politica contraproducente", criticou Mariana Mortágua, defendendo que "se há uma aposta na devolução de rendimentos e se essa aposta está a dar bons resultados, ela precisa de ser consequente".

Sobre as críticas de PSD e CDS à forma como Centeno conduziu o processo de negociações com o anterior presidente da CGD, António Domingues para garantir a isenção de declaração de rendimentos e património no Tribunal Constitucional, Mariana Mortágua lamentou o facto da direita estar "obsessivamente empenhada em criar casos, casinhos, novelas e folhetins que sirvam a sua aflição politica e falta de estratégia".

Mas também deixou reparos a Centeno. "O problema não está no que terá dito em conversas privadas. O problema está no que o Governo fez: criar um estatuto de exceção para a CGD. Quando devia estar preocupado em soluções, criou um novo problema, com uma visão de privatização da gestão da CGD. Por isso votámos contra e pela obritatoriedade de apresentação de rendimentos", recordou, apelando a que estas divergências políticas sejam, no entanto, "discutidas politicamente". "Isto não justifica um processo de tiro ao alvo que só fragiliza a CGD", disse, numa alusão às posições recentes de PSD e CDS.