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Socialistas revoltados com Marcelo

António Cotrim / Lusa

PS não esconde indignação com a forma como o Presidente se referiu a Mário Centeno. “Foi um atestado de menorização”, “nota vergonhosa”, “é preciso respeitar os poderes”. Carlos César, porém, desdramatiza

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

Marcelo Rebelo de Sousa está sob fogo do PS. Os socialistas não escondem a indignação perante a nota que o Presidente fez sobre o ministro das Finanças, segunda-feira à noite, em que sustenta que este deve permanecer no Governo em nome "do estrito interesse nacional" numa altura em que está envolvido na polémica da Caixa Geral de Depósitos.

"É um atestado de menorização", afirma ao Expresso um dirigente socialista, notando que o comunicado da Presidência dá a entender que noutras circunstâncias "em termos de estabilidade financeira", como se na nota, Marcelo teria feito pressão para que o primeiro-ministro demitisse Centeno. "Que eu saiba não é o Presidente que pode demitir ministros", acrescenta a mesma fonte.

Nas últimas horas, vários socialistas exprimiram mesmo nas redes sociais essa revolta. O deputado Ascenso Simões apelida de "vergonhosa" a nota de Marcelo, Vital Moreira escreve no seu blogue que "os ministros não carecem da confiança política do PR, nem este os pode demitir por sua iniciativa".

"Não basta querer ser 'Presidente de todos os portugueses' para ser um bom PR. É preciso saber e respeitar os poderes próprios e os poderes dos demais órgãos de soberania. É preciso não ter a tentação de compensar o excessivo ativismo com a técnica de 'uma no cravo, outra na ferradura'", escreve no Facebook Porfírio Silva.

No fim de semana, o apoio de Marcelo ao Governo a propósito da polémica da CGD valeu-lhe críticas do seu partido, o PSD. Agora, é a vez do PS.

Ao final do dia, Carlos César, líder parlamentar do PS, desdramatizava em declarações ao Expresso a indignação dos socialistas: “Não vejo qualquer aspecto censurável na mensagem do Presidente da República. Pelo contrário, vejo solidariedade institucional com o governo. E isso é o que interessa neste processo, para além do sucesso da CGD”.

(Artigo atualizado às 19h28)