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PSD também vai pedir troca de SMS entre Centeno e Domingues

Tiago Miranda

Depois do CDS, os social-democratas também vão requerer a entrega da troca de SMS na comissão parlamentar de inquérito à CGD. PSD considerou "penosa" a conferência de imprensa de Centeno e quer confirmar não apenas se Centeno mentiu, mas também o que sabia António Costa sobre o assunto

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O PSD vai apresentar esta terça-feira um requerimento na Assembleia da República para que sejam entregues à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao processo de recapitalização da CGD os SMS trocados entre o Ministro das Finanças e o ex-Presidente da CGD António Domingues para apurar se Mário Centeno mentiu, ou não, acerca do compromisso que assumiu com Domingues sobre a isenção de apresentação da declaração de rendimentos e património no Tribunal Constitucional.

O requerimento foi anunciado esta manhã na TSF pelo deputado social-democrata Hugo Soares que, depois de considerar "penosa" a conferência de imprensa de ontem de Mário Centeno, rejeitou a ideia de que os SMS trocados entre o Ministro das Finanças e António Domingues sejam do foro privado.

Isto porque, além de considerar que esses SMS têm um teor político, o deputado recorda que a Comissão Parlamentar de Inquérito tem poderes para exigir que os mesmos sejam apresentados. Não apenas para perceber "se Centeno mentiu", mas também para apurar a eventual "extensão dessa mentira dentro do Governo", nomeadamente a possibilidade de o próprio Primeiro Ministro António Costa estar a par dessa situação.

Na conferência de imprensa de ontem, Centeno defendeu que as suas comunicações com Domingues são "privadas", mas reiterou que em todas essas comunicações não foi além de "garantir que o estatuto ia ser alterado, que a Caixa iria ficar isenta de implementação do estatuto, sem nenhuma restrição adicional". "Isto valia para questões como as remunerações, avaliação, incompatibilidades que estão contidas no decreto-lei sobre o estatuto."

Na mesma conferência, o ministro rejeitou ainda ter mentido à comissão de inquérito parlamentar da CGD, porque o ministério das Finanças disse que "inexistiam" trocas de comunicações com António Domingues.

CDS já pediu acesso aos SMS

Na passada sexta-feira o CDS também pediu, na CPI, “informação sobre se houve comunicação, por SMS ou por outra via, entre o Ministério das Finanças e o Dr. António Domingues após a reunião de 18 de março de 2016, de alguma forma relacionada com as condições colocadas para a aceitação dos convites para a nova administra- ção da CGD.”

Conforme avançou o Expresso na edição de sábado, além da troca continuada de e-mails entre as Finanças e o banqueiro sobre como é que se poderia contornar e qual seria a melhor tática para resolver a questão das declarações de património e rendimentos que os novos gestores não queriam entregar no Tribunal Constitucional, há também comunicações por SMS.

Fonte conhecedora do processo disse mesmo ao Expresso que “absolutamente indiscutíveis” para provar como o Governo estava comprometido em arranjar uma solução para contornar a obrigatoriedade das declarações de património, “são os SMS”. Ao que o Expresso apurou cruzando a informação de várias fontes, os SMS em causa envolvem tanto o ministro das Finanças como o seu chefe de gabinete e o secretário de Estado Mourinho Félix.

Nas mensagens que Domingues recebeu de Mourinho Félix e do chefe de gabinete de Mário Centeno, o tom é bastante informal. Há mesmo quem confesse estar tudo a correr muito bem e que o Primeiro-Ministro já teria falado com o Presidente da República. Mais tarde, quando as coisas começaram a correr mal, seria a vez do próprio Centeno comunicar a António Domingues que já não havia nada a fazer senão entregar as declarações no TC, ao que o gestor lhe terá respondido que estava completamente fora de causa seguir essa sugestão.