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Caso Centeno: Marcelo sem agenda e em silêncio

JUAN CARLOS HIDALGO/EPA

Coisa rara: Presidente da República não tem agenda oficial para esta terça-feira. Um dia após a nota oficial sobre Mário Centeno que irritou os socialistas, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a mergulhar no mar e ficou em silêncio

Marcelo Rebelo de Sousa não marcou nada na sua agenda oficial para esta terça-feira. Na página oficial da Presidência, o ítem agenda está em branco e é em silêncio que o Presidente da República tem vivido o day after da sua polémica declaração sobre o ministro das Finanças.

São muito raros os dias em que Marcelo não saíu à rua e não falou sobre um ou dois temas, mas já aconteceu precisamente noutra ocasião por causa da polémica da Caixa Geral de Depósitos. Na altura, regressado de um périplo pela América Latina, o Presidente aterrou em Lisboa com o país mediático ao rubro por causa da resistência de António Domingues em declarar o património no Tribunal Constitucional (TC), e esteve dois dias sem agenda.

Ao terceiro dia, o PR publicou uma nota a forçar o ex-presidente da Caixa a entregar a declaração no TC e a forçar os juízes a notificarem o gestor.

Desta vez, Marcelo Rebelo de Sousa reserva-se um dia depois de ter feito outra nota sobre o mesmo tema, desta vez para manifestar apoio ao ministro das Finanças que tem sido acusado de mentir sobre o mesmo assunto, embora deixando claro que o seu apoio a Centeno é justificado por "estrito interesse nacional" relacionado com "a estabilidade no sistema financeiro".

O tom da nota presidencial desagradou aos socialistas, que acusaram o toque por Marcelo nunca elogiar o ministro e voltar a deixar claro que nunca teve dúvidas da obrigação legal de Domingues apresentar a declaração de património. O partido de António Costa percebeu que o PR se distanciou do apoio incondicional que a direita o acusava de estar a dar ao ministro e reagiu. Marcelo entrou em modo silêncio.

Pela hora do almoço, o Presidente da República ainda deu um dos seus habituais mergulhos na praia. Belém diz que o PR reservou o dia para contactos vários. Mas nada que conste da sua agenda oficial.

Depois de ter sido acusado pelo PSD de andar com Centeno ao colo, Marcelo conseguiu virar o jogo e agora é o PS que o acusa de ter fragilizado o ministro. O Presidente tem respondido a este tipo de ataques dizendo que não é "nem presidente de um partido nem um sindicato, mas sim o Presidente de todos os portugueses".