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Marcelo chamou Centeno e pediu-lhe que se explicasse ao país

Ministro das Finanças esteve em Belém à hora do almoço, depois de Marcelo ter informado Costa de que o queria chamar. Presidente da República forçou-o a explicar-se para tentar estancar o caso Caixa.

Marcelo Rebelo de Sousa teve um papel ativo para que o ministro das Finanças desse uma explicação pública sobre o caso da Caixa Geral de Depósitos. Ao que o Expresso apurou, o Presidente da República comunicou ao primeiro-ministro (ausente do país) que queria falar com Mário Centeno e este pediu a audiência ao PR mas, no fundo, foi chamado ao palácio de Belém.

A conversa a dois durou meia hora e o Presidente da República defendeu ser conveniente que o ministro das Finanças falasse quanto antes ao país.

Por um lado, Marcelo entendeu que o ministro não podia continuar calado enquanto de vários quadrantes políticos é acusado de estar a mentir sobre o alegado acordo com o ex-presidente da CGD que o isentaria de declarar o património. Por outro, depois de ter dado cobertura pública a Centeno, o que lhe custou um coro de críticas do seu partido (PSD), o Presidente entendeu que teria que ser o próprio ministro a dar a cara em sua defesa.

Ausente do país, o primeiro-ministro reiterou total confiança no titular da pasta das Finanças e disse estar a fazê-lo depois de ter falado com o Chefe de Estado. E também Mário Centeno se referiu ao Presidente na conferência de imprensa que deu à tarde e onde garantiu nunca ter acordado com António Domingues que este ficaria isento de declarar o património, embora admitindo terem falado "informalmente" sobre o assunto.

Como o Expresso noticiou no sábado, Marcelo Rebelo de Sousa acha "uma loucura" provocar a queda do ministro numa altura em que Portugal se prepara para saír dos défices excessivos e está a consolidar o sistema bancário. Mas o Presidente foi cauteloso e fixou uma linha vermelha para este caso ao afirmar que confia no ministro "até aparecer algo diferente ...".

Ou seja, a menos que surja "a assinatura" do governante, a convicção do Presidente é que Centeno pensa o mesmo que António Costa: que a alteração do estatuto do gestor público não isenta os administradores da CGD do que está previsto noutra lei - a lei 4/83 - que os obriga a declarar o património no TC.

Aos que (no PSD) o acusam de colaborar com o Governo, Marcelo diz que não é presidente "de um partido ou sindicato, mas de todos os portugueses".