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Guterres lamenta veto americano à nomeação de palestiniano

Issei Kato / Reuters

Líder das Nações Unidas consultou diplomatas do Conselho de Segurança, que deram luz verde. À última hora, EUA vetaram escolha de Salam Fayyad para representante da ONU na Líbia

António Guterres “lamenta profundamente” o veto dos Estados Unidos à escolha do ex-primeiro-ministro palestiniano Salam Fayyad como enviado especial para a Líbia.

“Lamento profundamente essa oposição, para a qual não vejo razão”, disse esta segunda-feira o secretário-geral das Nações Unidas, no fórum de decisores políticos que se realiza anualmente no Dubai, World Government Summit.

Segundo Guterres, Fayyad era “a pessoa certa para o cargo certo no momento certo”, pelo que "é uma perda para o processo de paz líbio e para o povo líbio”, afirmou.

Ao Expresso, o vice-porta-voz da ONU Farhan Haq afirmou que não se sabia agora quando será feita uma nova nomeação para o cargo. Segundo este porta-voz, "o secretário-geral das Nações Unidas fez consultas sobre a sua intenção, mas a sua perceção de que o nome de Salam Fayyad tinha sido aprovado relevou-se errada".

A indicação de Fayyad para o cargo foi feita na semana passada e, de acordo com um comunicado da ONU, "baseou-se unicamente nas suas reconhecidas qualidades pessoais e competência para o exercício da função".

O comunicado adianta que a escolha das equipas das NAções Unidas baseiam-se "estritamente nas suas capacidades pessoais e não representam nenhum Governo ou país".

Guterres indicou o nome do ex-primeiro-ministro para o cargo, depois de consultas com todos os membros do Conselho de Segurança mas, à uiltima hora, a adminsitração Trump mudou de posição e rejeitou a indicação de Fayyad.

Numa declaração, a embaixadora americana na ONU Nikki Haley afirmou que os EUA estavam "desapontados" ao saber da indicação de Guterres e que de futuro os EUA "agirão e não apenas falarão em apoio dos nossos aliados" .

A embaixadora disse que a ONU tem sido injustamente a favor da Autoridade Palestiniana "em detrimento dos nossos aliados em Israel", acrescentando que "os EUA não reconhecem um Estado palestiniano nem apoiam o sinal que esta nomeação daria no in terior das Nações Unidas".

O bloqueio à nomeação pelos EUA foi elogiado pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que afirmou não a ONU “não pode estar sempre a dar presentes aos palestinianos” e que estava na altura "de serem dadas posições e nomeações a Israel”.

Guterres enviou na sexta-feira uma carta ao embaixador da Ucrânia, que exerce a presidência do Conselho de Segurança, informando-o da sua intenção.

Vários diplomatas confirmaram por sua vez à CNN que Guterres tinha tido "discussões informais com a missão dos EUA em Nova Iorque, que lhe disseram que o Departamento de Estado e o Conselho de Segurança estavam de acordo.