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Costa poderá visitar Angola na primavera

MÁRIO CRUZ / Lusa

Augusto Santos Silva, que regressou esta segunda-feira a Portugal após três dias de intensos trabalhos em Angola, confirma notícia do Expresso e reitera as relações “muito densas e ricas” Lisboa e Luanda nas áreas politico-diplomática e económica

O ministro dos Negócios Estrangeiros português disse esta segunda-feira, em Luanda, que a visita do primeiro-ministro de Portugal a Angola poderá ocorrer ainda nesta primavera, depois dos contactos efetuados durante a sua visita ao país, confirmando assim a notícia avançada pelo Expresso na edição de sábado passado.

Segundo o chefe da diplomacia portuguesa, a sua visita a Angola visou fazer a síntese de vários encontros setoriais, de preparação para a visita do Primeiro-ministro, que por sua vez criará as condições para a visita de Estado do Presidente da República português.

“O que nós acertámos basicamente nas conversas havidas, quer a nível dos dois ministros das Relações Exteriores, quer depois na minha conversa na audiência que o Presidente da República me concedeu, o que nós conviemos foi que marcaríamos a visita para a primeira data possível. A minha expectativa é que a visita do Primeiro-ministro de Portugal a Angola se realize ainda nesta primavera”, referiu.

O governante português sublinhou que as relações entre Portugal e Angola tiveram resultados muito positivos em 2016, perspetivando que este ano sejam ainda melhores.

“O ano 2016 foi positivo, sobretudo na frente politico-diplomática. As relações entre os Estados são de perfeita normalidade”, disse o ministro.

Recordando que “Angola foi muito importante no apoio, desde a primeira hora, à candidatura de António Guterres a Secretário-geral das Nações Unidas”, Santos Silva sublinhou que “não foi aí que o papel de Angola no Conselho de Segurança foi importante”.

“Tive a ocasião de participar no debate organizado pela presidência angolana do Conselho de Segurança, em maio, sobre a questão da segurança nos Grandes Lagos e pude testemunhar pessoalmente o belo trabalho que Angola fez em prol da projeção da segurança nesta região”, citou.

Acrescentou que os dois países têm interesses convergentes “muito importantes” na estabilização da grande região central de África e do Sahel, recordando que Portugal tem neste momento forças empenhadas no âmbito da ONU na República Centro Africana e, também no âmbito da ONU, outra força destacada no Mali.

“E por isso o trabalho conjunto com Angola é muito útil para nós, designadamente se pensarmos também na situação que se vive na República Democrática do Congo, onde a comunidade portuguesa é importante”, sublinhou.

A nível económico, Augusto Santos Silva saudou os sinais de recuperação económica que os dois Estados vêm evidenciando nos últimos tempos, depois de crises profundas que causaram uma significativa redução nas suas trocas comerciais.

Para o ministro, a continuidade dos investimentos, quer em Angola por portugueses, quer em Portugal por angolanos, é a prova da “natureza duradoura e estrutural do relacionamento económico entre os dois países”.

“Estamos a fazer a nossa parte, julgo que as autoridades angolanas também estão a fazer a sua. Agora, ninguém desconhece que as restrições financeiras e orçamentais em Angola estão duras e que as restrições financeiras e orçamentais em Portugal são estão duras, mas é nestes momentos que se percebe quem são os amigos, quem são apenas os aliados de ocasião, e Portugal não quer ser apenas um aliado de ocasião em Angola nem Angola quer ser apenas um aliado de ocasião. Os nossos laços são históricos”, frisou.

A visita do chefe da diplomacia portuguesa incluiu visitas a duas províncias angolanas, designadamente Huambo e Benguela, onde manteve encontros com a comunidade portuguesa, nomeadamente professores, pequenos comerciantes e empresários, tendo o foco das conversas sido questões de natureza consular, que implica melhorias.

Em resumo, frisou ter ficado com a perceção de que é vontade dos portugueses não só continuarem em Angola, como intensificarem a sua atividade, apesar das restrições no acesso a divisas, a principal preocupação manifestada no encontro com empresários, em Luanda.