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Costa destaca contributo dos militares portugueses no combate à causa dos refugiados e ao terrorismo

PAULO HENRIQUES/GPM/LUSA

O primeiro-ministro está em Bangui, a capital da República Centro-Africana, para visitar os 160 militares portugueses ali destacados

O primeiro-ministro, António Costa, destacou este domingo o contributo que os militares portugueses, integrados em missões na República Centro-Africana, estão a dar no combate à causa da chegada de refugiados à Europa, mas também no combate ao terrorismo internacional.

“Todos nós vemos diariamente na Europa o drama que é a busca de refugiados vindos do continente africano à procura de proteção. A melhor forma de proteger as pessoas é assegurar que nos territórios de origem há paz, há um Estado democrático e há desenvolvimento, que diminui na raiz aquilo que são as causas profundas da busca de proteção”, referiu, acrescentando que que os militares portugueses estão em Bangui também "numa missão de solidariedade de apoio ao combate ao terrorismo internacional”.

É que Portugal integra esta Missão Integrada Multinacional de Estabilização das Nações Unidas na República Centro-Africana (MINUSCA) em resposta ao apelo de França que surgiu após os atentados terroristas em Paris em novembro de 2015.

“Ajudar a estabilidade do continente africano, para combater nas causas aquilo que está na origem da vaga de refugiados, ajudar a combater o terrorismo internacional, servir as organizações multilaterais de que fazemos parte, como as Nações Unidas e a União Europeia, é uma missão que nos honra e que, graças ao profissionalismo e à enorme capacidade das nossas Forças Armadas, Portugal tem condições de desempenhar”, sublinhou.

António Costa chegou a Bangui, a capital da República Centro-Africana, este domingo, para visitar os 160 militares (dos quais 90 do regimento de Comandos) que participam MINUSCA e os 11 militares que estão na missão da União Europeia (UE).

A deslocação aos campos e os contactos com as autoridades nacionais e os responsáveis das duas missões são “muito importantes” para que o Governo português possa “estar confiante em que esta é uma missão que as Forças Armadas estão em boas condições para desempenhar, num contexto que é difícil, de risco elevado e é uma responsabilidade muito pesada”, sublinhou o primeiro-ministro.

A visita, acrescentou, pretende “transmitir uma mensagem de apreço e de confiança que o Governo e os portugueses têm nas suas Forças Armadas, em particular no regimento de Comandos”, e mostrar “a importância desta missão para suportar as opções estratégicas da política externa do Estado português”.

Nesta visita, António Costa é acompanhado pelo ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, e pelo chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Pina Monteiro.

Domingo à noite jantou com os militares portugueses e, na segunda-feira de manhã, reúne-se com o representante do secretário-geral das Nações Unidas na República Centro-Africana, Parfait Onanga-Anyanga, e com o comandante da força da MINUSCA, Balla Keita. Do programa de António Costa e Azeredo Lopes consta ainda uma visita ao quartel-general da missão da União Europeia, também em Bangui.

A República Centro-Africana (RCA), um dos países mais pobres do mundo mas com muitos recursos, vive um conflito desde que, em 2013, o então Presidente, François Bozizé, foi deposto pelos rebeldes do grupo extremista Seleka, o que desencadeou uma onda de violência sectária entre os muçulmanos e as milícias anti-Balaka, maioritariamente cristãs.

A guerra civil já causou milhares de mortos, apesar de não haver números fiáveis, e obrigou cerca de um milhão de pessoas a abandonar os seus lares.

A intervenção das Nações Unidas e da França permitiu o fim dos massacres, a eleição de um novo Presidente e o regresso de uma calma relativa à capital, Bangui. No entanto, grupos armados mantêm um clima de insegurança permanente em várias regiões do país.