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Política

Bruxelas melhora previsões económicas mas deixa alertas à banca e à criação de emprego

OLIVIER HOSLET/EPA

As previsões económicas de Inverno são melhores do que as de Outono, mas a Comissão Europeia aponta para os riscos do sistema bancário português

Bruxelas concorda com Mário Centeno e diz que o défice em 2016 não vai além dos 2,3%. As previsões económicas de Inverno, divulgadas esta segunda-feira, são melhores do que as de Outono, mas os técnicos da Comissão apontam para os riscos do sistema bancário.

Os técnicos da Comissão Europeia reviram em alta o crescimento económico para 2016, mas também para este ano e para o próximo. No ano passado, a economia terá crescido 1,3%, com o turismo a dar uma grande ajuda, principalmente no segundo semestre. Para este ano, Bruxelas fala de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,6%, ligeiramente acima dos 1,5% projetados pelo Governo.

Também as projeções do défice são melhores. Os técnicos europeus aproximam-se das contas de Mário Centeno e dizem que em 2016, o défice nominal ficou nos 2,3%. A explicação, adiantam, está no menor investimento público, na contenção de despesa, e nas medidas extraordinárias como o PERES - o programa especial de pagamento de dívidas ao Estado. Bruxelas diz que sem medidas extraordinárias, o défice teria sido de 2,6% do PIB.

Para 2017, Bruxelas também revê em baixa os números do défice nominal. "O défice nominal deverá diminuir para 2% do PIB em 2017, principalmente devido a uma operação extraordinária (a recuperação da garantia do BPP vale 0,25% do PIB), a uma contínua recuperação económica moderada, e à politica monetária".

A trajetória decrescente do défice nominal vem reforçar a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo. Ainda assim, Bruxelas deixa avisos de que o défice estrutural não está a diminuir e que, se nada for feito, poderá agravar-se ligeiramente em 2018. As regras europeias pedem ao país uma redução de 0,6 pontos percentuais este ano, algo que está previsto no Orçamento do estado para 2017, mas que não tem reflexo nas previsões da Comissão Europeia.

O outro alerta diz respeito ao sector bancário. Segundo os técnicos de Bruxelas pode vir a prejudicar os números do investimento e também do défice. As previsões divulgadas esta segunda-feira apontam para riscos "ligados às incertezas em torno do cenário macroeconómico e de medidas de apoio à banca que são podem potencialmente aumentar o défice". No passado, Bruxelas tinha já feito este aviso para a injeção de capital na Caixa Geral de Depósitos.

A Comissão Europeia reconhece que o aumento do salário mínimo no ano passado ajudou ao aumento do consumo. No entanto, no que diz respeito à criação de emprego, pode ter efeitos menos positivos. "O crescimento do emprego deve diminuir graduarlemente de 1,3% em 2016 para 0,6% em 2018, uma vez que o recente aumento nos salários pode prejudicar a procura e a oferta de trabalho.