Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

CGD. Marques Mendes acusa Governo de manipular data de publicação do decreto

O ex-líder do PSD e comentador da SIC diz que todo este caso da Caixa Geral de Depósitos foi “uma maroscaque estava feita para passar despercebida”, mas que correu mal porque veio a público”

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O ex-líder do PSD Marques Mendes acusa o Governo de manipular a data de publicação do decreto-lei que alterava o estatuto de gestor público e permitia que os administradores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) não tivessem de apresentar as declarações de rendimentos e de património ao Tribunal Constitucional.

"O Governo manipulou a data de publicação deste decreto em Diário da República. O Presidente da República promulgou-o a 21 de junho, mês seis, e o habitual é a publicação ocorrer dois, três, quatro dias após a promulgação. Mas só foi publicado a 28 do mês de seguinte, de julho, que é o início das férias dos deputados. Deste modo não se aperceberiam do decreto-lei e não podiam pedir a sua análise no Parlamento", disse no seu habitual comentário de domingo no "Jornal da Noite", na SIC.

Para Marques Mendes, este intervalo de tempo foi deliberado porque "estava tudo feito para passar despercebido. Toda esta marosca estava feita para ser feita em segredo, à socapa", considerou.

"Domingues fez um pedido para não apresentar as declarações ao Tribunal Constitucional e fê-lo várias vezes. Bastava que o ministro, Mário Centeno dissesse, aceitamos as outras condições, mas essa não. Mas não disse que não. E neste momento já ninguém no país tem dúvidas de que houve um acordo. Chame-se depois compromisso ou entendimento, verbal, escrito, por carta ou por email. Houve um acordo", adiantou.

"O que correu mal", diz ainda Marques Mendes, "foi isto tudo ter vindo a público. Se não tivesse vindo a público Domingues ainda estava na CGD", disse.

Ainda assim, o ex-líder do PSD e comentador da SIC não acredita que Centeno seja afastado ou que se demita. "Mário Centeno não é nenhum génio político, mas a partir de agora fica fragilizado porque é menos respeitado e por isso tem menos autoridade. Contudo, não vai sair porque estamos em Portugal. Se fosse lá fora já tinha caído ou já se tinha demitido porque aceitou fazer uma lei à medida para defender um interesse particular e fê-lo para fugir ao escrutínio da democracia".

Marques Mendes vai mesmo longe e diz mesmo que Centeno "não se portou como um homenzinho. Um homenzinho assumia a verdade ou teria a humildade de reconhecer o erro a seguir. Tudo isto é um exercício de chico-espertice", rematou.