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Ferreira Leite e a CGD: “Não é um problema dos portugueses. É uma trica entre duas pessoas”

TIAGO PETINGA/ Lusa

A antiga ministra das Finanças considera ser “inaceitável” o que está a acontecer com a Caixa Geral de Depósitos. No habitual espaço de comentário, referiu ainda que a questão da correspondência trocada entre Centeno e Domingues está a ser tratada como “se fosse um problema fundamental” do banco público quando “não é”

Manuela Ferreira Leite diz-se “perplexa” com o que tem sido feito à Caixa Geral de Depósitos (CGD). No habitual espaço de comentário na TVI24, esta quinta-feira à noite, a antiga ministra das Finanças lamentou que se esteja a “humilhar e desgastar” a imagem do banco público diariamente ao convocar “conferências de imprensa e a chamar pessoas à comissão parlamentar de inquérito”. “É inaceitável”, defendeu.

“Ainda não percebi se querem dar cabo da Caixa de vez ou se não estão interessados em colaborar na sua recuperação. Qualquer um dos cenários é absolutamente inaceitável. Quero lá saber dos e-mails trocados entre o ministro [das Finanças] e o ex-presidente da Caixa”, disse Ferreira Leite.

Nos últimos dias foi divulgada pelo jornal “ECO” uma carta em que Mário Centeno desobrigou António Domingues e a equipa de administradores da CGD de entregarem as declarações de rendimentos e património no Tribunal Constitucional. O documento foi enviado por Domingues, ex-administrador da CGD, à comissão parlamentar de inquérito (CPI) e na quarta-feira foi tornado público. Esta quinta-feira, o CDS convocou uma conferência de imprensa, em que acusou o responsável das Finanças de “quebrar a verdade”, alertando para “as consequências políticas e penais” de mentir na CPI.

Para Ferreira Leite, os portugueses “já se fartaram [da novela]”, pois todos os dias ouvem “falar do ministro e de um administrador que nem aqueceu o lugar”.

“Isto não é um problema dos portugueses. É político e é uma trica entre duas pessoas”, disse. “Ainda não demos [à CGD] um minuto de tranquilidade. Admito que tenha de ser discutido, mas que não seja todos os dias com conferências de imprensa. Parece que é um problema fundamental da Caixa, mas não é. É uma discussão entre duas pessoas, sendo que uma delas já não está lá e que a outra é ministro e a oposição quer tira-la de lá”, acrescentou a ex-líder do PSD.