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CDS diz que Centeno pode sofrer “consequências penais e políticas”

Em conferência de imprensa, os centristas defenderam que os documentos que vieram a público provam que Mário Centeno “quebrou a verdade” na comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos

O CDS acusou Mário Centeno de “quebrar a verdade” perante a comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos. Em conferência de imprensa, ao final da tarde desta quinta-feira, o deputado João Almeida comentou a polémica em torno de uma carta de António Domingues, divulgada quarta-feira pelo jornal “ECO”, dirigida ao ministro das Finanças e na qual se refere que o acordo com o Governo desobrigava administradores do banco público de mostrarem declarações de rendimentos e património ao Tribunal Constitucional.

“O CDS não quebrará o compromisso de manter sob reserva o conteúdo dessa documentação, mas não é preciso o conteúdo para perceber que houve uma quebra de verdade”, disse João Almeida aos jornalistas.

O deputado lembrou que em novembro o CDS pediu acesso a “toda a correspondência relacionada com as condições colocadas para aceitar os convites para a nova administração da Caixa” trocada entre Domingues e Centeno”. A 3 de janeiro, continuou o deputado, chegou a resposta do gabinete do ministro: “inexistem trocas de correspondência”.

“O ministro das Finanças disse que inexistiam documentos que existem. A quebra de verdade é inequívoca”, insistiu João Almeida, que também admitiu perguntar a Centeno se “não quer voltar atrás com a repostada dada ao Parlamento a 3 de janeiro”.

O CDS defendeu que a situação poderá ter “consequências penais e políticas”. Questionado sobre o que poderia acontecer a nível da justiça, João Almeida referiu que “ao mentir à comissão de inquérito”, Centeno “pode ser acusado de perjúrio”.

“Há consequências políticas e ilações que têm de ser tiradas por quem nomeou o ministro das Finanças”, acrescentou o deputado centrista.

João Almeida considerou ainda que o ministro “terá oportunidade de dizer que afinal o que aconteceu era diferente daquilo que disse a 3 janeiro” e que o CDS irá chamar Domingues “para saber se existiu ou não” um compromisso entre os administradores e o Executivo.

Esta quarta-feira, foi revelado, através de uma carta publicada pelo jornal “ECO”, que Mário Centeno terá desobrigado António Domingues e a equipa de administradores da CGD de entregarem as declarações de rendimentos e património no Tribunal Constitucional, de acordo com a correspondência trocada entre os dois. No total, são 11 os documentos, entre emails e uma carta, que os deputados da comissão de inquérito à CGD já exigiam conhecer, com a data de 15 de novembro.

Nesta missiva, enviada por Domingues ao ministro das Finanças, lê-se que a desobrigação da entrega das declarações “foi uma das condições acordadas para aceitar o desafio de liderar a gestão da CGD e do mandato para convidar os restantes membros dos órgãos sociais”.

Segundo a mesma publicação, da leitura da troca de correspondência entre António Domingues, Mário Centeno e o secretário de Estado das Finanças, Mourinho Félix, resulta que “houve mesmo uma discussão explícita sobre a exigência de Domingues para não entregar a declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional. E um acordo que permitiu a entrada do gestor na Caixa”.