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PSD força audição de Centeno na comissão parlamentar de inquérito

José Caria

Os sociais-democratas argumentam que é preciso confrontar o ministro com o facto de “ter mentido descaradamente”. Esta quarta-feira foi divulgada uma carta trocada entre Centeno e Domingues que desobrigava administradores do banco público de mostrarem rendimentos

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O PSD vai chamar potestativamente à comissão parlamentar de inquérito (CPI) Mário Centeno devido à correspondência trocada com o António Domingues, ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos. A carta do ex-gestor, esta quarta-feira divulgada pelo jornal “ECO”, foi dirigida ao ministro dia 15 de novembro e diz que o acordo com o Governo desobrigava administradores do banco público de mostrarem rendimentos e património ao Tribunal Constitucional.

“Vamos chamar o ministro e confrontá-lo com o facto de ter mentido descaradamente a julgar pelas notícias que saíram na comunicação social. É lamentável que esses documentos tenha sido divulgados, mas não podemos fingir que estas notícias não existem. Agora, é necessário confrontar o ministro das Finanças com essas notícias”, afirmou ao Expresso o deputado do PSD Hugo Soares.

Os sociais-democratas dispõe ainda de oito agendamentos potestativos na Comissão Parlamentar de Inquérito, o que significa que podem chamar oito personalidades para audições sem que estas possam ser travadas por uma maioria de esquerda.

Esta quarta-feira, foi revelado que Mário Centeno desobrigou António Domingues e a equipa de administradores da CGD de entregarem as declarações de rendimentos e património no Tribunal Constitucional, de acordo com a correspondência trocada entre os dois. No total, são 11 os documentos, entre emails e uma carta, que os deputados da Comissão de Inquérito à CGD já exigiam conhecer, com a data de 15 de novembro.

Nesta missiva, enviada por Domingues ao ministro das Finanças, lê-se que a desobrigação da entrega das declarações “foi uma das condições acordadas para aceitar o desafio de liderar a gestão da CGD e do mandato para convidar os restantes membros dos órgãos sociais”.

Segundo o “ECO”, da leitura da troca de correspondência entre António Domingues, Mário Centeno e o secretário de Estado das Finanças, Mourinho Félix, resulta que “houve mesmo uma discussão explícita sobre a exigência de Domingues para não entregar a declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional. E um acordo que permitiu a entrada do gestor na Caixa”.