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Costa: “Abandono escolar aumentou porque desemprego juvenil diminuiu”

O aumento da taxa de abandono escolar em 2016 foi um dos temas de arranque no debate quinzenal desta quarta-feira. PSD acusa o Governo de “desinvestimento no ensino profissional”

O líder da bancada social-democrata, Luís Montenegro, lançou o tema e questionou o primeiro-ministro sobre o aumento de três décimas na taxa de abandono escolar precoce em 2016. Em resposta, António Costa levanta uma possibilidade: "o abandono escolar aumentou porque o desemprego juvenil diminuiu". Ou seja, "muitos dos que encontraram lugar no mercado de trabalho deixaram de estudar", afirmou Costa no debate quinzenal desta quarta-feira na Assembleia da República.

A justificação avançada pelo primeiro-ministro despertou críticas nas bancadas da oposição. A segunda justificação possível para o problema, avançou Costa, é o impacto que o aumento das taxas de retenção nos últimos anos - durante o anterior Governo - pode ter tido no abandono escolar.

"O senhor ministro disse que o desemprego juvenil baixou e o abandono escolar subiu. O que diz é que o desemprego aumenta quando os jovens vão estudar", criticou Montenegro, em resposta.

"O que não disse é que desde 2010, 2016 foi o primeiro e único ano em que cresceu", apontou o líder da bancada do PSD. "O que terá acontecido em 2016?", questionou, apontando como justificação o "desinvestimento do Governo no ensino profissional". "Este resultado não é como o desemprego: esse vem de trás e tem uma dinâmica. Este resultado tem origem de facto na política deste Governo."

Em causa está um aumento de 0,3 na taxa de abandono escolar precoce, conhecida esta quarta-feira. Em resposta à questão, diz Costa, o Governo vai lançar o programa Qualifica, "para completar a qualificação, certificação e formação".

No início da sua intervenção, o líder da bancada do PSD disse ainda que António Costa o fez "recordar de uma forma próxima o seu antecessor do PS, José Sócrates". "A escola de Sócrates voltou. Vem anunciar os mesmo programas, as mesmas medidas, mas no fundo a confessar que perdemos o ano e que estamos hoje no mesmo ponto em que estávamos há um ano. É o regresso dos programinhas, dos ‘powerpoints’, é o regresso da fantasia."