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Política

Aeroporto no Montijo condicionado a estudo de migração de aves concluído no fim do ano

Marcos Borga

António Costa garantiu no Parlamento que está acordado com a ANA (Aeroportos de Portugal) a necessidade de aprofundar o estudo relativamente à solução “que aparenta viabilidade”. Até à conclusão do estudo, não haverá decisões definitivas

O primeiro-ministro afirmou esta quarta-feira que uma decisão definitiva sobre a localização do futuro aeroporto no Montijo está condicionada à conclusão de um relatório sobre o impacto da migração de aves naquela zona, nomeadamente para a segurança migratória.

"Temos acordado com a ANA [Aeroportos de Portugal] que é necessário aprofundar o estudo relativamente à solução que aparenta viabilidade, que é a do Montijo, mas é uma viabilidade que está condicionada ainda a dados que só poderemos ter no final do ano, designadamente sobre o impacto de ser uma zona de migração de pássaros", afirmou António Costa.

O chefe de executivo falava no debate quinzenal no parlamento em resposta à presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, que o questionou sobre o futuro aeroporto de Lisboa, reiterando que a Assembleia da República tem pedido estudos que não têm sido enviados.

"O resultado sobre esse impacto, sobre a migração dos pássaros, só pode estar concluído no final do ano. Não permitirá decisões definitivas até essa altura, mas permite concentrar a nossa avaliação relativamente a uma das várias soluções possíveis e ir desenvolver o trabalho nesse sentido", afirmou ainda António Costa, sublinhando que a "segurança aeronáutica" pode conflituar com esse percurso migratório de aves, que passa pelo Montijo.

Depois da reposta do primeiro-ministro, Assunção Cristas mostrou-se "mais preocupada" e sublinhou a ausência de debate público sobre os estudos, que não foram enviados ao parlamento.

"Sabe tão bem quanto eu que há duas obrigações da parte do Governo português nesta matéria: desenvolver o estudo que justifica o esgotamento do aeroporto de Lisboa, aprofundadamente, e debate-lo publicamente, e depois o estudo sobre a localização do aeroporto", afirmou.

"Pelo que eu vejo, já é capaz de dizer que está absolutamente esgotado, que os números já ultrapassaram até aquilo que se previa daqui a sete anos, mas ninguém conhece esse estudo, ninguém o pode debater, ninguém o pode aferir", sublinhou.
Para Assunção Cristas, a resposta de António Costa "mostra um enorme atraso que há nesta matéria".

"Tomo boa nota, continuarei a perguntar, mas com elevada preocupação, porque sabemos como este aeroporto é crítico para o desenvolvimento do país e da cidade de Lisboa", declarou.

António Costa mencionou na sua resposta que "há um estudo que já está feito sobre alternativas, que mostra a inviabilidade de duas soluções: Sintra e Alverca", consideradas inviáveis por motivos de "operacionalidade técnica em matéria de navegação área".

"Temos acordado com a ANA que é necessário aprofundar o estudo relativamente à solução que aparenta viabilidade, que é a do Montijo", disse, antes de desenvolver a questão da migração de aves que estará a condicionar a decisão.

Assunção Cristas voltou a insistir, como no último debate quinzenal, no défice e na dívida, sublinhando que o Banco de Portugal revela que a dívida líquida aumentou 9,5 mil milhões de euros e voltou a comparar António Costa a José Sócrates.

"Faz-me lembrar o seu antecessor José Sócrates quando ele dizia que 2008 tinha sido um ano maravilhoso de 2,6% de défice, o melhor da democracia portuguesa, na altura, agora esse melhor é seu, mas dois anos e meio depois estávamos na bancarrota e estávamos a ter um resgate da 'troika' assinado pelo seu PS", afirmou.
A líder centrista referiu-se às emissões de dívida desta quarta-feira afirmando-se "muito preocupada".

"Hoje houve emissões de dívida e, de facto, é para ficar muito preocupada, a dívida a 10 anos, recentemente emitida a 4,2%, hoje a dívida emitida a sete anos dobrou a taxa de juro àquela que tinha sido a emissão de junho", afirmou.

"Isso significa que 530 milhões de euros, os portugueses, todos nós, que em junho estaremos a pagar 10 milhões de euros de juros, agora, pelo mesmo valor, pela mesma maturidade, estaremos a pagar 20 milhões de euros de juros", sublinhou.