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Jerónimo de Sousa critica presidente do Eurogrupo por alimentar a especulação dos mercados

FERNANDO VELUDO/ Lusa

Jerónimo de Sousa acusa presidentes do Eurogrupo e do Mecanismo Europeu de Estabilidade de serem “capatazes do intratável ministro das finanças alemão” e acusa direita portuguesa de “jubilar” com o aumento da especulação e das taxas de juro

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou esta sexta-feira os presidentes do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, e do Mecanismo Europeu de Estabilidade, Klaus Regling, de serem dois “capatazes do intratável ministro das finanças do governo alemão”. Na opinião do dirigente comunista, estas tomadas de posição contribuem para a subida das taxas de juro e acrescenta que os “especuladores sentem as costas quentes” pelos “verrinosos ditotes” destes responsáveis europeus.

As fortes declarações foram proferidas no Porto, durante o discurso de apresentação da candidatura da CDU, encabeçada por Ilda Figueiredo, à presidência do município. Mas o discurso de Jerónimo de Sousa não se cingiu à política autárquica e atravessou fronteiras, traçando duras críticas a alguns responsáveis europeus.

“Nunca como agora o défice das contas públicas foi tão baixo. Portugal melhorou significativamente o seu saldo orçamental. Teve uma redução maior do que o compromisso que o Governo estabelecera com Bruxelas”, notou o líder comunista.

“Seria de esperar por tudo isto que as taxas de juro nos mercados nos fossem mais favoráveis. Mas não. E porquê?”, questiona o secretário-geral do PCP, estranhando que as taxas tenham subido “muito mais para Portugal do que para os outros países”.

Para Jerónimo de Sousa, “a razão está na especulação”, que diz ser alimentada pelas declarações dos presidentes do Eurogrupo e do Mecanismo Europeu de Estabilidade. “Aqueles senhores repetem publicamente que Portugal tem de avançar com reformas (leia-se reduzir salários e pensões”, acusa o dirigente do Partido Comunista Português.

Críticas ao silêncio e “júbilo” de uma “certa direita” portuguesa

“É o que os especuladores querem ouvir, para assim terem a justificação para aumentarem as taxas de juro no chamado mercado secundário e criarem sérias dificuldades ao financiamento do país”, afirma o secretário-geral do PCP, que aponta igualmente o dedo a alguns comentadores e a “uma certa direita” portuguesa.

“Face a todas estas declarações insidiosas não se ouve (…) qualquer indignação. Pelo contrário, há júbilo. Portugal que se lixe!”, acusa o dirigente comunista. “Têm a mesma opinião que o ministro das finanças alemão que gostaria de acabar rapidamente com a experiência portuguesa que permitiu, e está a permitir, a reposição de rendimentos e direitos”, acrescenta.

Apesar de reconhecer que a dívida “não é sustentável” – como “já não o era há um, dois, três ou mais anos” – Jerónimo de Sousa afirma que os mercados “sabem que estão seguros, que ganham bom dinheiro com a dívida pública, a começa pela banca que recebe da República uma taxa de 4% e os vai descontar no BCE a taxas irrisórias”.

O secretário-geral do PCP voltou a frisar a importância de Portugal renegociar a dívida, “recuperar a sua soberania, incluindo a monetária e deixar de estar dependente da chantagem sistemática dos especuladores, dos grandes interesses e de quem os representa”.