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CDU quer um Porto onde gentes e tradições não sejam “vestígios arqueológicos”

FERNANDO VELUDO/ Lusa

Candidatura da CDU à Câmara Municipal do Porto foi formalmente apresentada. Ilda Figueiredo promete “olhar insubmisso” e Jerónimo de Sousa espera resultado que afirme a coligação como uma “decisiva força” na Invicta

A candidata da CDU à presidência da Câmara Municipal do Porto (CMP), Ilda Figueiredo, foi esta sexta-feira oficialmente apresentada, numa cerimónia realizada no edifício dos Paços do Concelho, na qual esteve acompanhada pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, e também pelo elemento da sua lista Rui Sá, primeiro candidato à Assembleia Municipal. A candidata e atual presidente do Conselho Português para a Paz e Cooperação promete um “olhar insubmisso” e assevera que a CDU não se confina aos “muros da complacência ou aos palcos da exibição”.

A economista e professora de 68 anos, com uma vasta experiência política como deputada e eurodeputada, garantiu “empenhamento” e disponibilidade para dar visibilidade às “palavras, problemas, sonhos e esperanças” dos portuenses, através de uma “gestão mais municipal mais atenta às desigualdades”. Contribuir para uma cidade “mais inclusiva” é outra das bandeiras desta candidatura, ideias que Ilda Figueiredo, já tinha desvelado em entrevista ao Expresso.

“Não queremos um Porto onde dos portuenses e das suas tradições culturais haja apenas memória e vestígios arqueológicos”, afirmou a candidata da CDU, que fala de uma cidade “cosmopolita e aberta”, mas onde os habitantes locais sentem “todos os dias que são um estorvo para os poderes políticos”. Algo que, defende, conduz a uma “migração e expulsão" da cidade.

Persistência na luta pela igualdade de acesso à habitação condigna, aos transportes públicos, a espaços de lazer e convívio, à educação pública de qualidade, ao desporto e à cultura, assim como defender a identidade e lutar contra a “mutilação do património” da cidade são algumas das promessas de Ilda Figueiredo, que volta a candidatar-se à presidência do município 20 anos depois.

A candidata assegura lutar pela “concretização de investimentos públicos há muito anunciados” e um “combate às privatizações”, como aconteceu no município com a recolha do lixo, com a concessão do estacionamento público a uma empresa privada ou com as “negociatas” do Bairro do Aleixo, entre outros exemplos referidos.

A fechar o discurso, Ilda Figueiredo – também autora de vários livros de poesia – desafiou “todos os democratas portuenses que se revêm nestes princípios” se juntem e apoiem a candidatura da coligação, que irá enfrentar nas urnas o atual presidente da câmara Rui Moreira, apoiado pelo PS e CDS, e Álvaro Almeida, pelo PSD.

Jerónimo espera resultado que projete CDU como “forte e decisiva força”

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa vincou que esta candidatura reúne pessoas com “uma grande experiência nos mais diversos domínios” da vida coletiva, “conhecedores (…) não apenas do seu concelho, da sua cidade, mas também de toda a região do Porto e do próprio país”.

O líder comunista afirma que este é um “projeto distintivo” e representa uma “solução e proposta alternativa à gestão de PS, PSD e CDS-PP, e de todos aqueles que assumem, no essencial, o mesmo modelo e princípios de gestão autárquica”.

Durante o discurso, Jerónimo de Sousa lançou ainda uma farpa ao PS e CDS por terem optado apoiar Rui Moreira, em detrimento de apresentarem candidaturas próprias. “Vamos para este combate eleitoral convictos de que estamos em condições de fazer destas eleições, num contexto em que outros parecem abdicar de uma candidatura própria, um momento de construção de um resultado que projete a CDU como uma forte e decisiva força”no Porto.

O responsável máximo pelo PCP acrescentou igualmente que a candidatura de Ilda Figueiredo representa uma “coerente e corajosa afirmação do caráter público de gestão e de combate à fúria privatizadora” que, denota, estar muito presente na política portuguesa e autárquica.

Rui Sá, primeiro candidato da CDU à Assembleia Municipal – onde já desempenhou funções e onde entrou com apenas 19 anos de idade –, explicou que o seu regresso à vida autárquica é motivado por se “estarem a tentar disseminar na cidade ideias e práticas sobre o funcionamento autárquico que são redutoras das potencialidades e virtudes do poder local democrático”.

O integrante da lista de Ilda Figueiredo acrescenta que essas práticas são “completamente contrárias à tradição e à alma do Porto” e aponta o dedo a quem “abdica das suas próprias propostas e ideias – ou, ainda mais grave, das propostas e ideias que apresentaram aos eleitores – subordinando-as à conquista de quinhões de poder”.