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Voto do BE contra Trump gera tensão entre deputados do PS

Direção do grupo parlamentar do PS decidiu não apoiar o voto de condenação a Trump proposto pelo BE, por entender que a proposta de voto dos socialistas tem "medida e intensidades próprias". Decisão não foi recebida com agrado por todos os deputados do PS. Votos de condenação dos dois partidos vão amanhã a Plenário na Assembleia da República

A intenção de alguns deputados do PS de votarem favoravelmente o voto de condenação do Bloco de Esquerda pelas recentes declarações e deliberações da administração Trump gerou uma discussão acesa na reunião do grupo parlamentar do PS. Tudo porque, segundo informações recolhidas pelo Expresso, nem todos os deputados acolheram com agrado a decisão da direção do grupo parlamentar socialista - que também apresentará amanhã um voto de condenação pela lei anti-imigração de Trump - de não votar favoravelmente os votos de condenação apresentados por outros partidos sobre as políticas do 45.º Presidente dos Estados Unidos.

As reações mais acesas terão surgido por parte de Bacelar de Vasconcelos e Alexandre Quintanilha, deputados socialistas que o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, tinha anunciado na quarta-feira que votariam favoravelmente o voto de condenação bloquista.

No final da reunião desta manhã da bancada socialista do PS, o líder parlamentar do partido, Carlos César, justificou a decisão de não votar favoravelmente a iniciativa do Bloco com o argumento de que o voto de condenação do PS tem "uma medida e intensidades próprias". "O PS tem uma posição própria, radicada na defesa de valores que incluem os da solidariedade internacional, em particular no caso dos refugiados", defendeu Carlos César. Citado pela Agência Lusa no final da reunião do grupo parlamentar socialista César sublinhou a "linguagem diplomática" do PS, com "uma medida e intensidades próprias" que constam do voto apresentado pelos socialistas. "Existindo um voto que introduz exatamente essa intensidade e essa medida da condenação por parte do PS, não temos necessidade de votar outros votos", defendeu.

Por isso, assumiu,: "A posição formal não será votar favoravelmente porque temos um voto". "Mas", salvaguardou, "os deputados do PS não estão proibidos de se manifestar num sentido ou noutro". Ou seja, amanhã, depois das votações, poderão apresentar declarações de voto sobre a iniciativa bloquista.

O texto do voto de condenação dos socialistas centra-se sobretudo na decisão de Donald Trump de "bloquear o acesso ao território americano a certas categorias de pessoas discriminadas em função da sua origem e credo religioso" e no facto de ela não só ter "suscitado justificada indignação", como representar um "retrocesso civilizacional" e o "desrespeito por princípios elementares de direitos humanos". Por isso, o voto de condenação dos socialistas lamenta "as restrições recentemente impostas pelo Presidente dos Estados Unidos da América" e manifesta "a sua profunda preocupação pelo significado que tais restrições acarretam para todos os que, diariamente, se vêm por elas atingidos, para a salvaguarda dos Direitos Humanos à escala global, e para a afirmação do primado do Direito Internacional".

Já o voto do Bloco de Esquerda assume um cariz mais genérico e pede à Assembleia da República que reafirme "o seu compromisso com a defesa dos direitos humanos, da igualdade de género, da resolução pacífica dos conflitos, da liberdade de imprensa, da liberdade religiosa, do respeito pela Convenção de Genebra e pelos Acordos de Paris sobre alterações climáticas, bem como o seu empenho no combate à xenofobia, ao racismo e ao sexismo, condenando as declarações e deliberações da administração Trump contrárias a estes princípios".