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Política

PCP defende novo aeroporto em Alcochete. Base do Montijo “não é solução”

José Caria

Em artigo publicado no “Avante!”, o dirigente do PCP Vasco Cardoso argumenta em favor da construção de um novo aeroporto internacional de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete. A base aérea do Montijo “não é a solução que o país precisa”, escreve este membro da Comissão Política

O dirigente do PCP Vasco Cardoso defende o Campo de Tiro de Alcochete como localização para o novo aeroporto internacional de Lisboa, em vez da opção Portela/Montijo.

"A 'solução' que agora tem vindo a ser construída pelo Governo PS aponta para a recuperação da tese 'Portela+1', na versão base aérea do Montijo, libertando a Vinci [empresa francesa detentora da ANA] das suas obrigações, desperdiçando recursos e adiando um problema que mais cedo ou mais tarde se voltará a colocar. Não é essa a solução de que o país precisa", lê-se num artigo de opinião de Vasco Cardoso, publicado esta quinta-feira no jornal oficial comunista "Avante!".

O PCP sempre sustentou que, tal como é defendido num estudo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, Alcochete é a melhor solução para construção de um novo aeroporto internacional.

O Campo de Tiro de Alcochete situa-se maioritariamente no concelho de Benavente, cuja autarquia é liderada por Carlos Pinto Coutinho (CDU - PCP e "Verdes"). Já a Câmara Municipal do Montijo é presidida pelo socialista Nuno Canta.

O membro da comissão política do Comité Central comunista considera que, "com a venda da ANA à multinacional francesa Vinci, que o Governo PSD/CDS concretizou, o Estado perdeu uma empresa cujos lucros permitiram durante anos o investimento nos aeroportos nacionais (Porto, Faro, Lisboa, Açores, Madeira), mas perdeu sobretudo o controlo público de um sector estratégico".

Segundo tem sido noticiado, o atual executivo socialista concorda com a proposta da Vinci de deixar de utilizar a pista secundária do agora Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, e passar a recorrer à Base Aérea nº 6 (Montijo), também na margem sul do Tejo, para tráfego aéreo civil.

"A discussão em torno da construção de um novo aeroporto internacional, que substituísse o atual aeroporto localizado em Lisboa, tem barbas. Aberta ao tráfego aéreo desde 1942, esta infraestrutura localizada na Portela, que lhe emprestou o nome durante décadas, está hoje a caminho da sua saturação e sem possibilidades de expansão", insiste Vasco Cardoso, acrescentando que houve mais de 22 milhões de passageiros em 2016 e prevê-se situação-limite até 2018.

Para o PCP, a construção da nova infraestrutura em Alcochete deve ser acompanhada de uma terceira travessia sobre o Tejo, com opção rodoferroviária (Barreiro-Chelas), assim como a introdução da alta velocidade ferroviária.