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Política

Malha mais apertada para os candidatos às tropas especiais do Exército

GONÇALO ROSA DA SILVA

Só os candidatos em perfeito estado de saúde física e mental deverão a partir de agora ser admitidos aos exigentes cursos de Comandos, Paraquedistas e Rangers. Objetivo: “diminuir a morbilidade/mortalidade em contexto de treino”

Carlos Abreu

Jornalista

Os candidatos às tropas especiais do Exército (Comandos, Paraquedistas e Operações Especiais, conhecidos como Rangers) passarão a ser submetidos, no âmbito das provas de classificação e seleção para estes exigentes cursos, avaliações médicas bem mais rigorosas, informa este ramo das Forças Armadas em comunicado enviado esta manhã às redações.

É o que se depreende de uma nova “Norma de Autoridade Técnica” elaborada na sequência da Inspeção Geral do Exército (IGE) ao curso 127 de Comandos, no qual morreram dois instruendos e que assume como principal finalidade “diminuir a morbilidade/mortalidade em contexto de treino”. Esta nova norma prevê que o processo de avaliação dos candidatos possa decorrer em três diferentes fases.

Na primeira fase, todos os candidatos são sujeitos a uma “Avaliação Médica Pré-Participação (AMPP)”, que consiste num “questionário de saúde”, numa “avaliação biométrica”, e na “realização de exames complementares básicos,” bem como numa “consulta presencial com um médico, nas Unidades de Saúde do Exército”. A nova norma prevê que a fase 1 esteja concluída “no mínimo, um mês antes do início do respetivo curso”.

No questionário de saúde os candidatos terão de revelar a existência de doenças do coração, AVC, hipertensão, epilepsia e até cancro, entre outras doenças, nos familiares mais próximos (pai, mãe ou irmãos). Inclui ainda uma bateria 32 questões dirigidas ao próprio candidato onde se pergunta, por exemplo, se alguma vez sentiu “dor no peito”, se já foi operado e se “no último mês sentiu-se incomodado muitas vezes por estar ‘em baixo’ ou ‘deprimido’ ou ‘com falta de esperança’”. Os candidatos têm ainda de revelar os seus hábitos tabágicos, alcoólicos, medicamentosos e de “consumo de outras substâncias” (quais e com que objetivo). Antes de assinar o documento, os candidatos são informados de que “as falsas declarações” podem levar a “processos disciplinares”.

Durante a avaliação biométrica são recolhidas, por um enfermeiro, informações como a altura e o peso do candidato e testada a sua audição e visão. Todos os candidatos terão ainda de realizar diversos exames médicos, como por exemplo, um eletrocardiograma, radiografia do tórax, análises clínicas, entre outros. Em função das respostas dadas no questionário, poderão ser pedidos exames complementares. Quem se queixar, por exemplo, de “dor torácica” terá de realizar um ecocardiograma.

“Todas as situações que sejam passíveis de dúvidas quanto à aptidão”, informa o Exército, são submetidos a uma segunda fase de seleção que já decorrerá nos Centros de Saúde do Exército. Os candidatos são então submetidos a uma “Avaliação em Medicina do Exercício (saúde e aptidão relacionada com a saúde), uma Avaliação Psiquiátrica, Exames Complementares Adicionais e uma Junta Militar de Aptidão (JMA)”, pode ler-se na nota enviada pelo Exército às redações.

Ainda de acordo com a mesma nota, estes candidatos serão submetidos “a uma avaliação mais aprofundada por médicos com formação de medicina do exercício da área do problema de saúde em questão (cardiologia, ortopedia, etc.) para eventual realização de outros exames complementares específicos e posterior decisão sobre a aptidão para a frequência do curso”.

À terceira e última fase, que decorrerá no Hospital das Forças Armadas, em Lisboa, chegarão “todas as situações que continuem a suscitar dúvidas relativas à aptidão do candidato”, sendo estes avaliados “em especialidades hospitalares, em Exames Complementares Especiais e, por fim, na avaliação do candidato por uma Junta Hospitalar de Inspeção (JHI)”.