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Política

Carris: PSD acusa Governo de ter atribuído gestão à Câmara por razões eleitoralistas

CARRIS APRECIADA. A passagem da Carris para a tutela da Câmara de Lisboa vai ser alvo de um debate parlamentar pedido pelo PCP. Falta saber se os comunistas apresentarão também uma proposta para reverter essa transferência, criando um novo problema à estabilidade da maioria parlamentar

TIAGO MIRANDA

O deputado do PSD Carlos Silva defendeu a intenção do anterior executivo PSD/CDS de subconcessionar a privados os transportes de Lisboa e Porto, justificando que essa solução pemitia diminuir os encargos para os contribuintes. Agora, disse, com a reversão são “reativados custos anteriormente eliminados”

O PSD acusou esta quarta-feira o Governo de ter atribuído a gestão da Carris à Câmara Municipal de Lisboa por razões eleitoralistas, com PS, PCP e BE a responderem que o objetivo dos sociais-democratas era privatizar a empresa.

Numa declaração política na Assembleia da República, o deputado do PSD Carlos Silva defendeu a intenção do anterior executivo PSD/CDS de subconcessionar a privados os transportes de Lisboa e Porto por essa solução diminuir os encargos para os contribuintes e considerou que a reversão desse processo "vem reativar custos anteriormente eliminados".

"A dívida colossal é para ser paga por todos os portugueses, a festa dos descontos é para ser oferecida nas eleições autárquicas", disse, acusando o Governo de parcialidade na municipalização da Carris.

Na resposta, o deputado do PS João Paulo Correia acusou o anterior executivo de "degradar o serviço público de transportes durante quatro anos".

"Queriam era privatizar, desmantelar por completo o serviço público de passageiros", criticou, contrapondo que a municipalização da Carris "é a melhor resposta para a qualidade do serviço e gestão da empresa".

Pelo Bloco de Esquerda, o deputado Heitor de Sousa acusou Carlos Silva de renegar o programa eleitoral do anterior executivo PSD/CDS-PP, ao defender que a Carris devia ter uma gestão metropolitana quando esse executivo pretendia a privatização.

"A não ser travado, iria fazer com que a rede de transportes deixasse de ter uma lógica metropolitana e passaria a funcionar de acordo com os interesses privados", criticou.

Também o deputado do PCP Bruno Dias disse que a preocupação do PSD é com o "belíssimo negócio" que estava a ser preparado para o Metro e a Carris.

"Os senhores não conseguem disfarçar que a vossa preocupação não é o modelo de gestão, é tudo o que não seja privatizar", disse.

Pelo CDS-PP, Helder Amaral acusou a atual solução governativa "de ser sólida como a gelatina", salientando que será o PCP a chamar o decreto da municipalização da Carris ao parlamento por via de uma apreciação parlamentar.