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Carris: “A transferência está hoje consumada, está feita”

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina e o primeiro-ministro, António Costa, durante a cerimónia de assinatura do memorando da passagem de gestão da Carris para o município de Lisboa

JOÃO RELVAS / LUSA

António Costa valoriza o “momento simbólico em que a Carris volta ao município de Lisboa”

O primeiro-ministro António Costa definiu esta quarta-feira, dia em que a Câmara de Lisboa assume de novo a gestão da rodoviária Carris, como um dia de “boas notícias”, com a transferência “consumada” da gestão da empresa.

Falando aos jornalistas antes de uma viagem de elétrico entre Alcântara e a Praça do Município, onde se situa a sede da autarquia da capital, Costa valorizou o "momento simbólico em que a Carris volta ao município de Lisboa" e sublinhou que, no que respeita às dúvidas dos comunistas nesta matéria, estas não colocam em causa a operação.

"O PCP já ontem [terça-feira] esclareceu que a iniciativa que tem [apreciação parlamentar] não coloca em causa esta transferência da propriedade nem a vigência do decreto de lei. Porventura, deseja ter algum aperfeiçoamento mas não põe em causa esta transferência, e isso é o essencial e a transferência está hoje consumada, está feita. Boas notícias, vamos a isto", declarou o chefe do Governo.

A acompanhar o trajeto do primeiro-ministro estiveram responsáveis da Carris e da autarquia de Lisboa, entre os quais o presidente da Câmara Fernando Medina e os vereadores Duarte Cordeiro e Manuel Salgado.

Para o primeiro-ministro, "a valorização da Carris é fundamental para a promoção do novo paradigma de circulação nos meios urbanos", menos dependente do transporte individual e mais do transporte público. É, portanto, "fundamental" que quem governe as cidades "gira a rede de transportes", o que trará, advogou Costa, "maior qualidade" de serviço.

"Esta era uma das opções fundamentais do Programa de Governo, na prioridade que deu à descentralização", prosseguiu o governante.

A Câmara de Lisboa assume assim a gestão da rodoviária Carris, 41 anos depois de a "ter perdido" para o Estado, num processo inde, depois de o PCP ter pedido a sua apreciação parlamentar.

Por discordar da decisão governamental, o PCP entregou na sexta-feira na Assembleia da República um pedido de apreciação parlamentar do diploma que transfere a Carris para o município, acompanhado de propostas de alteração ao decreto do Governo.

A dívida da empresa irá manter-se na esfera do Estado.

[Texto atualizado às 11h46]

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