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BE: Ações de Trump “não recomendam a passividade de ninguém”

À semelhança do Partido Socialista, o Bloco de Esquerda vai apresentar um voto de condenação “pelas recentes declarações e deliberações da administração Trump”

“Alimentada em todo o mundo, a expectativa de que, findo o período eleitoral, Donald Trump seria afinal apenas mais um presidente de perfil liberal-conservador, provou-se errada.” Esta é uma das críticas do Bloco de Esquerda ao recém-eleito Presidente dos Estados Unidos da América presente no voto de condenação que o partido vai apresentar na Assembleia da República e que será votado na próxima sexta-feira.

No documento, a que o Expresso teve acesso, é referido que “ideário e a retórica inflamada” que caracterizaram a campanha eleitoral não mudaram após a tomada de posse de Trump. O BE acusa o Presidente de seguir a “via do ódio”.

O decreto que proíbe a entrada nos Estados Unidos da América de todos os refugiados, as restrições à imigração legal e ilegal, a construção do muro na fronteira com o México, o regresso das prisões secretas da CIA em vários países, o corte no financiamento público a organizações internacionais que apoiam mulheres no acesso à Interrupção Voluntária da Gravidez, os bombardeamentos no Iémen e a construção de oleodutos em “zonas ambientalmente sensíveis” são algumas das medidas listadas pelo Bloco para justificar a condenação à nova administração.

“Nos primeiros dias do mandato, Trump mostrou como a sua administração vê o mundo e como quer ser visto por ele”, lê-se no voto de condenação. E alerta: “As consequências das políticas interna e externa da administração Trump dizem respeito à cidadania global e não recomendam a passividade de ninguém, indivíduos e instituições”.

Com este voto de condenação, pretende-se reafirmar o compromisso “com a defesa dos direitos humanos, da igualdade de género, da resolução pacífica dos conflitos, da liberdade de imprensa, da liberdade religiosa, do respeito pela Convenção de Genebra e pelos Acordos de Paris sobre alterações climáticas, bem como o seu empenho no combate à xenofobia, ao racismo e ao sexismo”.

O voto de condenação do Bloco junta-se assim ao do PS, em que considera que a decisão de Donald Trump de “bloquear o acesso ao território americano a certas categorias de pessoas discriminadas em função da sua origem e credo religioso têm suscitado justificada indignação”, representando um “retrocesso civilizacional” e o “desrespeito por princípios elementares de direitos humanos”.