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Vitorino diz que Carris será um teste para o arco da governação

JOSÉ CARIA

A atribuição da gestão Carris à autarquia de Lisboa, as medidas de Donald Trump e a polémica em torno do livro de Valter Hugo Mãe foram assuntos abordados por António Vitorino e Santana Lopes no seu comentário na SIC Notícias

António Vitorino afirmou que a resolução da questão da atribuição da gestão da Carris à Câmara de Lisboa poderá pôr “fim à deriva da relação entre os três partidos”, PS, PCP e BE, ou “pode deteriorar-se”.

No seu comentário desta terça-feira à noite na SIC Notícias, Vitorino considerou ter havido alguma precipitação na gestão do assunto e que agora será necessário “alguma negociação” para que cheguem a “uma solução que salve a face a todos”. “A solução encontrada será manter a câmara de Lisboa no lugar do condutor e a de Loures no do guarda-freio”, afirmou.

Por seu turno, Pedro Santana Lopes relativizou a importância da questão na relação entre os três partidos. Manifestou-se a favor de que a empresa deixe de estar sob a alçada do Estado central, mas defendeu que a gestão deveria passar a ser intermunicipal. Por outro lado, colocou em questão como será possível o equilíbrio financeiro da empresa, tendo em conta o anúncio da baixa de preços dos passes para determinadas camadas da população: “A Carris era economicamente desequilibrada e assim não estou a ver como será o milagre”.

O inicio da Presidência de Donald Trump foi outro dos assuntos abordados, com Vitorino a referir que “nós temos que começar a pensar o inimaginável”, tendo em conta não só as decisões que já tomou como também a “forma ostentatória, opressiva, provocatória” com que o fez. Relativamente à sua defesa da prática da tortura, frisou que “hoje vemos a administração de Donald Trump a defender descontraidamente o grau zero da humanidade”. Mais adiante acrescentou que, com a humilhação dos muçulmanos, com medidas que passam também pelo bloqueio da entrada de cidadãos de outros países nos Estados Unidos, Trump “ofereceu a melhor arma de propaganda ao Daesh”.

Santana manifestou-se especialmente preocupado com a escolha de certos membros da sua equipa que encosta a sua administração a setores próximos do racismo e da segregação racial. “Não querendo ser pessimista, mas é aterrador”. “Estamos a viver num tempo novo, vamos entrar num tempo novo”, acrescentou, referindo-se também à aproximação das eleições francesas e à possibilidade da vitória da extrema-direita com Marine Le Pen.

Em relação à polémica sobre a inclusão de “o nosso reino”, o livro de Valter Hugo Mãe, no plano de leitura para o terceiro ciclo, ambos os comentadores concordaram que tal não deveria ter acontecido, embora relativizando a importância do assunto. “No meu tempo não se podia ler o canto nono” dos Lusíadas, recordou Vitorino sorrindo.