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Polémica com livro de Valter Hugo Mãe:. Marcelo diz que a “escolha é subjetiva, discutível e criticável”

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Chefe de Estado defende que a escolha das leituras para alunos é “sempre complicada” e não se deve dramatizar a polémica lançada a propósito do conteúdo sexual de dois trechos do livro de Valter Hugo Mãe

O Presidente da República desvalorizou esta quarta-feira a polémica suscitada pela inclusão do romance de Valter Hugo Mãe "O Nosso Reino" nas leituras recomendadas ao 3.º ciclo, considerando que todas as escolhas são subjetivas e criticáveis.

Invocando a sua experiência como professor universitário, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o processo de escolha das leituras "é sempre um processo complicado": "o que se escolhe e aquilo que não se escolhe, a adequação à idade, o diálogo permanente com a comunidade educativa, com os pais e os encarregados de educação, com os professores", observou.

Questionado sobre a contestação de alguns pais de alunos do 8.º ano à inclusão do livro no Plano Nacional de Leitura, por conter frases de cariz sexual, Marcelo Rebelo de Sousa sustentou que não se deve "dramatizar" e frisou que "como tudo na vida, a escolha é subjetiva, é discutível e criticável".

O Presidente da República considerou ainda "salutar haver o debate sobre a matéria", porque é através do debate "que se vai melhorando".

"Não é nenhum drama, faz parte da vida", acrescentou.
O Nosso Reino" estava nas listas dos livros de leitura recomendada para o 3.º ciclo do ensino básico, que abrange 7.º, 8.º e 9.º anos, portanto, alunos com idades entre os 12 e os 15 anos.

Na segunda-feira, o comissário do Plano Nacional de Leitura, Fernando Pinto do Amaral, disse à Lusa que a obra sairá das leituras recomendadas no 3.º ciclo e passará a constar apenas da lista recomendada ao secundário, a partir do 10.º ano.

O comissário argumentou que o livro entrou na lista do 3.º ciclo "por lapso", já que originalmente tinha sido escolhido para o secundário.

O Presidente da República falava aos jornalistas no final de uma iniciativa que reuniu no Palácio de Belém o escritor Miguel Sousa Tavares e alunos do colégio Nossa Senhora da Conceição, de Guimarães.

A iniciativa, designada "Escritores no Palácio de Belém", contará com a participação de 30 autores de obras recomendadas pelo Plano Nacional de Leitura e de 30 estabelecimentos de ensino, públicos e privados, de todo o país.