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Expresso

Política

PCP não vai pedir reversão da municipalização da Carris

Tiago Miranda

PCP discorda do modelo adotado para a transferência da propriedade e gestão da Carris para a Câmara Municipal de Lisboa, mas o pedido de apreciação parlamentar a este dossiê só dara origem a propostas de alteração ao decreto-Lei. Cessação de vigência da Lei não será pedida para não abrir a porta à “oportunidade que outros veem para a privatização” da empresa, esclarece João Oliveira

O PCP não vai pedir a cessação da vigência do decreto-Lei do Governo que formalizou a mudança de propriedade e gestão da Carris para a Câmara Municipal de Lisboa.

Embora o partido tenha feito entrar na sexta-feira um pedido de apreciação parlamentar a esse decreto, o líder parlamentar dos comunistas, João Oliveira, esclareceu esta terça-feira que não haverá - depois da TSU - um novo 'solavanco' na maioria parlamentar de esquerda que sustenta o Governo, com a reversão de uma medida do Governo.

"No quadro da observação do decreto-Lei, o PCP apresentará propostas de alteração e não a cessação de vigência", disse João Oliveira aos jornalistas, esta terça-feira à tarde na Assembleia da República.

Apesar de o PCP entender que "a solução que melhor serve" os interesses dos cidadãos e utentes da Carris "é a integração da empresa no sector empresarial do Estado" e não sob a alçada excusiva da Câmara Municipal de Lisboa, os comunistas não avançam com o pedido de cessação de vigência por entenderem que isso poderia abrir a porta a uma solução ainda pior.

"Não perdemos de vista a oportunidade que outros veriam para a privatização, contra a qual nos batemos", justificou Oliveira.

Entre as propostas de alteração que o PCP apresentará deverá estar a integração da Carris no sector empresarial do Estado, com gestão independente e aberta a contributos dos vários municípios servidos pela redes de transportes públicos. "Os municípios têm uma palavra a dizer nas redes e na articulação entre os vários transportes. Mas isso não deve confundir-se com a propriedade e a gestão das empresas", resumiu.