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Eutanásia. Marcelo não fecha portas e pede “debate amplo e profundo”

Marcos Borga

“Teria que ver a lei”, disse Marcelo em campanha. E continua a não fechar portas. Presidente da República separa as suas “convicções” do debate “profundo” que quer ver na sociedade. Nesta altura, diz, “não faz sentido o PR intervir”

"O que o Presidente da República quer é que haja um debate amplo, profundo e o mais alargado possível" sobre o tema. Sem fechar portas, Marcelo Rebelo de Sousa recusou-se esta terça-feira a tomar posição sobre a despenalização da eutanásia, tema que na quarta-feira vai a debate na Assembleia da República.

Marcelo diz que a última coisa que quer é condicionar o debate e recusa-se a dizer o que pensa sobre o assunto. "Não faz sentido nesta altura estar o Presidente da República a intervir", afirma, antevendo "um processo longo e com um debate aprofundado".

O Presidente nunca quis impôr as suas convicções pessoais sobre esta matéria e nunca apresentou uma posição fechada. Em dezembro de 2015, quando ainda nem era candidato presidencial, afirmou numa entrevista à Rádio Renascença que, se fosse Presidente da República teria sempre "que olhar para a lei".

"Eu teria que olhar para a lei e ver se no quadro daquilo que eu entendo que é a conjugação da minha convicção, das minhas convicções, com a avaliação objetiva da realidade que ali me é apresentada, se se justificava tomar uma posição positiva ou negativa", afirmou na altura.

Mais tarde, já em campanha eleitoral, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu num debate que "o PR, tendo as suas convicções, não as impõe ao funcionamento e à expressão da democracia, seja ela referendária ou representativa".

Numa conversa com Maria João Avillez na Capela do Rato, quando confrontado com a possibilidade de ter que assinar uma lei sobre a eutanásia ou o aborto, reafirmou que dependeria do que dissesse a lei.

Marcelo é sensível "à ponderação que é preciso fazer, porque estamos perante uma realidade que é muito sensível, que é a vida humana, e depois outras realidades a que a sociedade contemporânea é crescentemente sensível, que são as realidades do sofrimento". Tema qb para um debate que o Presidente quer estimular na sociedade portuguesa.