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Leiria: CDS rejeita candidato laranja

Escolha de Fernando Costa, que está aliado ao PCP em Loures, divide PSD e inviabiliza coligação com CDS

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

A escolha de Fernando Costa para encabeçar a candidatura do PSD à Câmara Municipal de Leiria está a revelar-se um problema para o partido: dividiu os sociais-democratas, levou Feliciano Barreiras Duarte, um velho aliado de Passos Coelho, a escrever uma carta muito dura ao presidente do PSD, e provocou o afastamento do CDS, que não admite apoiar esta candidatura.

Fernando Costa, antigo presidente da câmara de Caldas da Rainha, foi candidato em 2013 em Loures, onde manteve desde então um acordo de governo com o comunista Bernardino Soares. A sua candidatura à câmara de Leiria foi aprovada pela concelhia local em novembro, e depois pela distrital, apesar de ao longo de meses tanto o líder distrital como dirigentes nacionais do partido terem apostado na candidatura de Feliciano Barreiras Duarte, deputado eleito por Leiria.

Além do apoio explícito de Passos, do coordenador autárquico, Carlos Carreiras, do secretário-geral do PSD, Matos Rosa, e do líder da distrital, Rui Rocha, Barreiras Duarte tinha o conforto de uma sondagem feita em setembro. Nesse estudo, Barreiras Duarte era o candidato mais forte do PSD, com 25%. Fernando Costa era o pior dos quatro nomes testados, com 6,7%. Sendo que a soma das intenções de voto no PSD e no CDS garantia que a coligação conquistasse a autarquia, com 45%.

Porém, não só a escolha da concelhia recaiu sobre o candidato pior colocado, como não deverá haver coligação, segundo asseguraram ao Expresso responsáveis do CDS. Leiria é o círculo pelo qual Assunção Cristas é eleita ao Parlamento e a escolha do PSD deixou-a perplexa. Não só pelo perfil populista deste “dinossauro”, como por ter protagonizado uma “geringonça” com o PCP em Loures. Mais: em 2011, na campanha das legislativas, Costa atacou Paulo Portas, associando-o a “clientelas de sobreiros e submarinos”. Tudo somado, o CDS só quer distância.

“Era desnecessário”

Com a candidatura de Costa como um facto consumado — é um de quase cem processos que terão luz verde na Comissão Política Nacional na terça-feira —, Barreiras Duarte escreveu uma carta a Passos em que faz a cronologia de um processo que “era desnecessário” e “não foi tratado como deveria ter sido”. Ao longo de seis páginas, muito detalhadas, o deputado e ex-secretário de Estado (que foi ainda chefe de gabinete de Passos quando este chegou a líder do PSD), elenca os apoios que teve e os pedidos e garantias de recebeu, de Passos, Carreiras e Matos Rosa, e termina com a conclusão de que “qualquer pessoa bem intencionada e que teve a postura que eu tive neste processo, ficaria com razões para se sentir desiludida e ofendida na sua honra pessoal e política”.