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Países do sul da Europa acordam cooperar para Europa “forte e unida”

ANDRÉ KOSTERS/EPA

A Cimeira do Sul que junta os sete países do sul da Europa, inlcuindo Portugal, decorreu este sábado, em Lisboa, e contou com a presença dos Presidentes de França, François Hollande, e do Chipre, Nikos Anastasiades, e dos primeiros-ministros português, António Costa; espanhol, Mariano Rajoy; italiano, Paolo Gentiloni; grego, Alexis Tsipras, e maltês, Joseph Muscat

Os sete países do sul da Europa, incluindo Portugal, que este sábado reuniram na Cimeira do Sul, em Lisboa, concordaram na necessidade de cooperarem para alcançar uma União Europeia "forte e unida", capaz de devolver a esperança aos cidadãos e combater populismos, principalmente no atual momento de instabilidade.

"Confirmamos o nosso objetivo de aumentar a nossa cooperação e de contribuir para uma União Europeia forte e unida", lê-se na Declaração de Lisboa, divulgada no final do encontro, que reuniu os Presidentes de França, François Hollande, e do Chipre, Nikos Anastasiades, e os primeiros-ministros português, António Costa; espanhol, Mariano Rajoy; italiano, Paolo Gentiloni; grego, Alexis Tsipras, e maltês, Joseph Muscat.

"Acreditamos que, num mundo confrontado com incertezas e instabilidade crescentes, seremos mais fortes agindo juntos. Enfraquecer a Europa não é uma opção", acrescentaram.

Para os sete, a UE deve defender os seus valores de "liberdade, democracia, Estado de Direito e respeito e proteção de todos os direitos humanos" e responder a "desafios comuns que os Estados-membros estão a enfrentar", apresentando "respostas para as preocupações reais" dos cidadãos.

Respostas que passam pelo "emprego, crescimento económico e coesão social, proteção às ameaças do terrorismo e incerteza, um futuro melhor para as gerações mais jovens, através da educação e de empregos, e um papel central da cultura e educação nas sociedades", refere a posição comum.

Costa defendeu comércio livre

No final do encontro, o chefe do Governo português, António Costa, defendeu a necessidade de a Europa defender "a democracia, as quatro liberdades, o comércio livre a nível mundial", mas também a importância de dar "respostas concretas que reforcem a confiança dos cidadãos".

Já o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, destacou, por sua vez, que a Europa "continua a ser a região do mundo com maior nível de democracia, liberdade e direitos humanos" e "com maior nível de bem-estar e progresso".

"É a primeira potência comercial, a primeira potência económica do mundo. É um sítio para onde todos querem vir e de onde ninguém, com exceção de um único caso, quer sair", disse, aludindo ao Reino Unido, que em março deverá iniciar o processo de saída da UE (‘Brexit’).

Também após o encontro, o primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, registou a "convergência muito importante" entre os países do sul da União Europeia, que representam cerca de 40% do bloco europeu.

"Há uma mensagem de esperança: não é necessário que 2017 seja um ano de crise para a União Europeia, ou um ano de adiamentos, em que há um compasso de espera. O mundo não espera por nós, há crises e as crises não podem esperar", disse o governante italiano.

Os sete países têm "um empenho fortíssimo" para participar nas próximas reuniões e para "elaborar o roteiro da esperança, da confiança e da perspetiva de paz e do futuro da Europa", afirmou.

O primeiro-ministro grego também destacou a concordância de opiniões: "O acordo e o entendimento entre os países do sul da Europa tardou, mas está presente", disse, avisando que esta região "não é nem pode ser o parente pobre" da Europa.

"Chegámos a um acordo relativamente à necessidade de reforçarmos esforços para que a União Europeia volte a ser, como ideia e como visão, algo que inspire os povos europeus. As palavras não chegam, são precisos atos para termos uma melhor Europa no futuro", referiu Alexis Tsipras.

No mesmo sentido, o Presidente cipriota destacou a necessidade de "concretizar as declarações que já foram feitas para que a Europa reconquiste a confiança das pessoas",

"Se o populismo ganha espaço, é porque muitas vezes ficamos apenas pelas declarações", alertou Anastasiades.

E o Presidente francês, François Hollande, sublinhou que a Declaração de Roma, que assinalará em março os 60 anos da assinatura dos tratados fundadores do bloco europeu, deve definir as prioridades da "Europa de amanhã, uma Europa segura, protetora, que seja capaz de garantir, no âmbito da Aliança Atlântica, a sua própria defesa, mas também uma Europa mais próspera e mais preocupada com o progresso para todos".

O próximo encontro dos sete líderes do sul da União Europeia ficou agendado para o mês de abril, em Madrid, Espanha. Antes disso, estão já marcadas duas cimeiras europeias para onde os sete querem levar estas conclusões. Uma delas ocorre já na próxima sexta-feira, 3 de fevereirom, em La Valletta, em Malta, e a outra a 25 de março, em Roma, Itália.