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Autárquicas Lisboa: Passos Coelho acumula recusas

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Pedro Reis, José Eduardo Moniz e Teresa Morais recusaram. José Eduardo Martins nem deu hipótese. PSD ainda sem candidato

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Pedro Passos Coelho tem somado almoços para tentar encontrar uma solução para o PSD em Lisboa, e vai acumulando recusas às sondagens e convites das últimas semanas. Ao que o Expresso soube junto de sociais-democratas que têm acompanhado o processo, uma das últimas tentativas foi Pedro Reis, o independente que lidera o Instituto Sá Carneiro. O presidente do PSD desafiou-o a candidatar-se contra Fernando Medina mas, após terem abordado a questão em várias conversas, o ex-presidente da AICEP declinou o desafio.

Reis coordenou o grupo de economistas que preparou o programa eleitoral do PSD em 2015. Depois disso, foi promovido à presidência do Instituto Sá Carneiro, o think-tank do PSD. Uma das razões por que recusou candidatar-se a presidente da câmara da capital, sabe o Expresso, liga-se às suas atuais funções como CEO do BCP Capital. O “não” de Pedro Reis tem sido interpretado nos bastidores do PSD como mais um sintoma da dificuldade de Passos em encontrar um voluntário para Lisboa — dificuldade acrescida conforme passa o tempo e vão sendo conhecidas mais tentativas falhadas.

Este nome surgiu depois da recusa de outro independente, José Eduardo Moniz, ex-diretor da RTP e da TVI e atual consultor da estação de Queluz de Baixo. Entre as hipóteses partidárias, Teresa Morais (deputada e vice-presidente do PSD), Paulo Rangel (eurodeputado) e José Eduardo Martins já sinalizaram a sua indisponibilidade.

Martins, que tem sido um dos críticos de Passos e foi escolhido pela concelhia para escrever o programa para Lisboa, almoçou na quinta-feira com Passos Coelho. O ex-deputado negou que tenha sido convidado para uma candidatura à capital. “Falámos de Lisboa e do programa, mais nada”, declarou ao Expresso. Fontes que lhe são próximas asseguram que Passos testou durante o almoço se haveria abertura para ser candidato... mas a resposta estava dada desde essa manhã: em entrevista à Antena 1, Martins jurou que estava “fora de questão” concorrer a Lisboa.

Da mesma entrevista ficou um recado a Passos: se não alcançar o objetivo (“não muito ambicioso”) de ter mais câmaras que o PS, deve demitir-se. “No lugar de Pedro Passos Coelho, se tivesse fixado esse objetivo e não o conseguisse, demitia-me”, disse Martins. Pouca gente acredita que Passos o faça, mas cada vez mais Lisboa é vista como o grande teste à sua liderança. Se, como o CDS acredita ser possível, o candidato do PSD ficar atrás ou próximo de Assunção Cristas, “será um choque nunca visto”, garante um barão social-democrata que já afia as facas.
Na dança de nomes, o mais recente é Rui Gomes da Silva - foi abordado pela concelhia, mas a direção do PSD não fez caso. O ex-ministro tem dito entre amigos que “nunca aceitaria ser candidato por um partido liderado por Passos”.