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Candidata da CDU quer portuenses primeiro num Porto em que atracou o turismo

Alberto Frias

Ilda Figueiredo pretende uma cidade mais inclusiva, capaz de proteger o património histórico-cultural e propõe políticas voltadas para os portuenses, num Porto onde atracou a “massificação do turismo”

A candidatura de Ilda Figueiredo, da CDU, à presidência da Câmara Municipal do Porto (CMP) é a terceira a ser anunciada, depois de Álvaro Almeida ter sido escolhido pelo PSD para enfrentar o atual presidente Rui Moreira – apoiado formalmente pelo PS e CDS – e que foi o primeiro a assumir publicamente a intenção de concorrer às próximas eleições autárquicas na cidade. A economista e professora Ilda Figueiredo possui uma vasta experiência política, tendo desempenhado funções como vereadora, deputada na Assembleia da República e também como eurodeputada.

O anúncio oficial está agendado para o dia 3 de fevereiro, pelas 18h nos Paços do Concelho e conta com a presença do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa. Apesar de remeter esclarecimentos mais concretos para o dia da apresentação, a candidata vinca, em entrevista ao Expresso, o objetivo de ajudar a construir “uma cidade aberta ao mundo, mas com os portuenses” em primeiro plano.

“A cidade é dos portuenses e devemos acentuar esse princípio. Naturalmente, o Porto deve estar aberto ao mundo e a todos os que a visitam, porque também não queremos uma cidade fechada”, afirma Ilda Figueiredo, integrante do Comité Central do Partido Comunista Português.

Combater o êxodo de muitos habitantes que optam por sair da cidade – que pretende mais “inclusiva” – é outro dos propósitos centrais e apela à necessidade de repensar a “massificação” do turismo. “Temos em conta os novos problemas que estão a surgir e um deles é a massificação do turismo. Não pretendemos que isso sirva para justificar a saída de pessoas da cidade”, sustenta a candidata de 68 anos e que não é uma estreante em candidaturas autárquicas.

Ilda Figueiredo afiança igualmente que esta é uma candidatura que não se vê em posições “unanimistas” da cidade e frisa que, atualmente, a CDU constitui a verdadeira força de oposição.

“Numa altura em que o PS não vai concorrer às eleições autárquicas, achamos que é fundamental ter uma visão política à esquerda. É isso que está a acontecer na Câmara Municipal do Porto neste momento, em que a CDU é a única alternativa consequente”, considera a escolhida pela CDU, autora de vários livros de poesia e presidente da Direção do Conselho Português para a Paz e Cooperação.

Não obstante, Ilda Figueiredo assume que esta será uma candidatura aberta a procurar convergências e pronta para explorar a multiplicidade de visões sobre o contexto atual do município. “Consideramos que em democracia há que ter em conta as diversas participações, ideias e propostas. E nós [CDU] temos uma proposta diversa que queremos que seja tida em conta na gestão da cidade”, acrescenta.

Também como figura de relevo nesta candidatura da CDU aparece o nome de Rui Sá, figura com uma vasta experiência na política municipal e uma das mais ativas vozes de contestação durante o atual mandato de Rui Moreira. Membro da Direção da

Organização da Cidade do Porto do PCP, Rui Sá é o primeiro candidato da coligação para a Assembleia Municipal, por onde já passou no passado.

A escolha “teve a ver com a sua experiência e conhecimento ” do contexto político e social do município, explica Ilda Figueiredo, para quem este é mais um exemplo da “importância que a CDU dá a estas eleições e ao Porto, com uma candidatura que junta pessoas que conhecem bem a cidade e que já exerceram responsabilidades”.