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Eutanásia. “Tratemos da vida, porque a morte virá seguramente”, diz Ferreira Leite

JOSÉ CARLOS CARVALHO

Declarou-se “absolutamente contra” a eutanásia, defendendo que se está a discutir uma temática sobre a qual “ninguém sabe o suficiente”. Para antiga líder do PSD, a prioridade deveria ser “aumentar a rede de cuidados paliativos e tudo o que dignifica a vida”

Manuela Ferreira Leite é uma das mais 14 mil subscritoras da petição “Toda a Vida tem Dignidade”, entregue na quarta-feira na Assembleia da República. Esta quinta-feira, no habitual espaço de comentário, na TVI24, declarou-se “absolutamente contra” a eutanásia e questionou as intenções por trás da sua legalização.

“Não há algum elemento económico ou financeiro em defender a eutanásia em vez de aumentar a rede de cuidados paliativos e tudo o que dignifica a vida? Não será mais fácil saltar logo para a última etapa?”, lançou. “Primeiro tratemos da vida, porque a morte virá seguramente”.

Para Ferreira Leite, deveria ser prioritário garantir as condições para ajudar as pessoas a ultrapassarem a doença. “A vontade das pessoas provavelmente é resultado de situações dolorosas, de depressão de várias naturezas. Aquilo que todos nós temos obrigação é de tentar eliminar as causas que façam alguém dizer: eu quero morrer. O que nós não temos é equipamentos para cuidados paliativos generalizados”, considerou.

A antiga líder do PSD disse que se trata de um tema que está a ser “politizado” e refutou que seja um direito, pois a morte “é algo inevitável”. “Sei o suficiente para dizer que se está a discutir uma coisa sobre a qual ninguém sabe nada ou quase nada”, defendeu.

Além da petição “Toda a Vida tem Dignidade”, uma outra petição a favor da eutanásia, será discutida na próxima semana no Parlamento. Antecede a apresentação, discussão e votação de projetos-lei do BE e do PAN no sentido de legalizar a morte medicamente assistida em Portugal.