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Vieira da Silva: “Pirueta política” do PSD é um “ataque à concertação social”

Marcos Borga

Vieira da Silva critica a posição do PSD quanto à descida da TSU para as empresas e considera que esse "murro na mesa" será um "colossal tiro no pé"

O ministro da Segurança Social, Vieira da Silva, deixou críticas à posição do PSD, ao juntar-se ao BE e PCP contra a descida da TSU (taxa social única) para as empresas, como contrapartida do aumento do salário mínimo, considerando essa atitude como uma "pirueta política" e um "murro na mesa". "Esse murro na mesa é um ataque à Concertação Social", afirmou o ministro que está em representação do Governo no debate desta quarta-feira, na Assembleia da República.

"Como o tempo não deixará de provar, este não é um murro na mesa mas será um colossal tiro no pé", concluiu. "O PSD resolveu concentrar toda a sua energia em provar uma coisa que estava mais do que provada", afirmou o ministro, fazendo referência ao facto de os partidos de esquerda não terem "as mesmas posições sobre todos os assuntos". "Queria provar o que provado está. Mas demonstra mais: que o PSD de hoje não tem a mesma posição que o PSD de ontem."

Vieira da Silva falou da descida da TSU, como compensação do aumento do salário mínimo, enquanto uma "medida temporária e excecional". "Esta redução da taxa contributiva foi acordada para envolver todos os setores, não diferenciando ninguém, em particular o setor social", afirmou, numa referência ao que os sociais democratas tinham inicialmente pedido no sentido de incluir nessa descida da TSU o setor social. "Quem se propõe afastar agora é o PSD."

O ministro voltou a apontar o dedo ao partido de Passos Coelho, defendendo existir uma questão a que os sociais democratas não tiveram "a coragem" de responder "publicamente". "Digam, de uma vez por todas, se são contra ou a favor do aumento do salário mínimo em 2017 para 557 euros. Respondam a essa simples questão."

"Há quem se deleite com o triunfo da tática sobre a substância, do golpe sobre a coerência, da necessidade de um posto de uma liderança partidária sobre o que interessa verdadeiramente aos trabalhadores e às empresas", defendeu.

Em resposta à intervenção do ministro, o deputado social-democrata Adão Silva apontou uma "omissão" no discurso de Vieira da Silva. "Não falou do impacto que esta medida tem em milhões de atuais e futuros pensionistas. Deveria ter dito aquilo que acontece quando um sistema como o da Segurança Social vê retirados milhões de euros das suas receitas. Isso, verdadeiramente, é inaceitável. Deve uma explicação às pessoas."