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Política

Presidente da CCP critica “taticismo de conjuntura do PSD” na TSU

“Se o Parlamento não respeitar acordos para que existe a concertação?”, questiona João Vieira Lopes

O presidente da Confederação de Comércio e Serviços,João Vieira Lopes, deixa fortes críticas aos "taticismos políticos de conjuntura" que inviabilizaram no Parlamento o acordo entre Governo e patrões para a redução da TSU, como forma de compensar as empresas pela subida do salário mínimo para os 557 euros. "A prazo, se de facto o Parlamento não respeitar minimamente os acordos de concertação social, então pode perguntar-se: para que existe a concertação?", questiona em entrevista ao "Jornal de Negócios".

Recordando que "é uma situação inédita" que a Assembleia da República ponha "em causa medidas que foram acordadas na concertação" e que esse cenário "não estava" na mente dos parceiros quando estavam a negociar o acordo, Vieira Lopes assume que já esperava o chumbo dos partidos à esquerda do PS, mas que ficou "espantado" com a posição agora assumida pelo PSD.

"O que nos preocupa aqui, fundamentalmente, como confederação empresarial, não é [a posição de] partidos que têm uma visão da sociedade diferente da nossa, é a daqueles que historicamente foram suporte e valorizaram a concertação social. Por isso é que ficámos bastante espantados com este taticismo de conjuntura do PSD", acusa o presidente da CCP.

Mas na sua perspetiva, não é apenas o PSD que fica mal na fotografia da inviabilização da redução da TSU para as empresas. "Por um lado, toda esta temática está a ser utilizada numa mera lógica de táctica política. Os partidos que suportam o Governo aproveitaram esta medida para mostrar alguma independência, para dar satisfação às suas bases de apoio. O Governo, enfim, partiu do princípio que isto iria correr como das outras vezes, sem provavelmente ter negociado com ninguém. Da parte do PSD, acho eu, há uma jogada política extremamente negativa", prossegue, recordando que com o apoio ao chumbo a esta medida, o PSD toma uma opção que "vai afetar negativamente grande parte das empresas, quando historicamente uma das suas bases de apoio são os pequenos empresários".

Sobre as possíveis alternativas à redução da TSU, Vieira Lopes explica que "não existe mais nenhuma" medida de impacto direto relacionada com os trabalhadores que têm o salário mínimo, que os patrões estão a "refletir sobre eventuais medidas" novas e que também aguardam pelo que "tem o Governo a propor". E deixa uma luz sobre o possível caminho alternativo. "As áreas do IRC e das tributações autónomas são áreas onde se poderão encontrar soluções", diz.