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PSD-Madeira levanta-se contra Estado centralista

HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Miguel Albuquerque desenterrou este domingo, no Funchal, o contencioso da autonomia e diz que é tempo de “acabar com arrogâncias e provincianismos neo-coloniais”. A Madeira não quer favores, nem aceita “lições de ninguém”

Marta Caires

Jornalista

O congresso do PSD-Madeira prometia pouco, mas Miguel Albuquerque decidiu regressar às origens e fechou os dois dias de trabalhos com um discurso contra Lisboa, contra o estado centralista, contra "as arrogâncias" e a prometer luta, muita luta.

Na Madeira, "o governo não se vai calar" e também não aceita lições. Quando o coro começou a cantar "paz, pão, povo e liberdade" ficou claro que a liderança mudou, mas as batalhas são as mesmas dos tempos de Jardim.

A maior de todas é a autonomia e, na Madeira, o presidente do PSD não esquece que os poderes estão todos centralizados em Lisboa. Esse estado central que insiste é ficar com a sobretaxa do IRS e até tem "a cobertura do Tribunal Constitucional".

Albuquerque lamentou este centralismo que torna Portugal um "país dos mais atrasados da Europa". Aliás esse estado que tem tantas empresas públicas com dívidas na ordem dos mil milhões de euros não tem lições para dar aos madeirenses.

"Não recebemos lições de ninguém", disse, entre aplausos. Segundo o líder social-democrata a questão tem de ser vista ao contrário."Somos um exemplo para Portugal" e, conforme sublinhou, a Madeira não quer favores ou dádivas "Se o Estado português não pode ou não quer assegurar a solidariedade tem de assegurar o quadro legal e jurídico que permita à Madeira encontrar as soluções. O resto é conversa".

Apesar do ímpeto, Miguel Albuquerque deixou claro que não está em causa da unidade nacional, não está a falar de separatismo, mas a lutar para que a região tenha maneira de encontrar saídas para as suas dificuldades. Ou seja, mecanismos como um sistema fiscal próprio. O tempo, disse, é para "acabar com as arrogâncias e os provincianismos neo-coloniais". até que já "estamos no tempo do marquês de Pombal, vivemos no século XXI".

Com as autárquicas no horizonte e as sondagens a colocar o PSD muito atrás da coligação que é poder no Funchal, o líder ,eleito nas diretas com 98,2%, também se lançou contra a esquerda - a que ainda vive em ambiente do PREC - e que governa em Lisboa. A tal que não colocou o novo hospital no calendário de obras, nem tenha verba inscrita no Orçamento de Estado de 2017, embora tenha prometido pagar metade da obra.

"O governo do PSD não se vai calar", prometeu a fechar os dois dias de congresso do partido. Sem oposição interna assumida e com todas as moções apresentadas aprovadas por unanimidade, Miguel Albuquerque encerrou os trabalhos com as velhas lutas sociais-democratas, a primeira de todas a autonomia. No tom e nas palavras, o discurso – que lembrou os anos de miséria da ditadura – fez lembrar Jardim a pedir mais autonomia e a recordar os tempos em que não havia médicos, nem escolas no arquipélago.