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Marcelo: “Até setembro de 2020 direi se sou recandidato”

Presidente da República mostrou-se otimista em relação à situação política nacional, rejeitando a ideia de um bloqueio ou impasse. E reconheceu a solidão do cargo presidencial

Martim Silva

Martim Silva

Diretor-Executivo

O Presidente da República revelou esta noite que pode candidatar-se a um novo mandato em Belém, mas a decisão só será conhecida lá para setembro de 2020.

“O ideal para mim era haver só um mandato de seis ou sete anos. Não sendo assim, vou decidir até setembro de 2020”, revelou Marcelo Rebelo de Sousa na entrevista desta noite à SIC, a primeira desde que é Presidente da República.

O mandato presidencial iniciou-se em 2016 e prolonga-se até 2021, altura das próximas eleições. Marcelo mostrou-se defensor de um sistema com um só mandato presidencial, mas admitiu uma recandidatura, dizendo que anunciará aos portugueses a sua decisão em setembro de 2020, a cerca de quatro meses das próximas Presidenciais.

Sobre o seu papel em Belém e as críticas de que fala muito e intervém a propósito de tudo e nada, Marcelo respondeu: “As pessoas são como são. E não mudam quando chegam à função. Depois, o tempo político hoje é muito acelerado. Terceiro, há a componente de esclarecimento da opinião pública”, afirmou, sublinhando ainda a necessidade de “prevenir conflitos” inerentes à função presidencial. Assim, sobre este primeiro ano, justificou-se: “Foi importante intervir muito no primeiro ano de mandato”.

Finalmente, Marcelo confessou e reconheceu a solidão do cargo. “Quando se chega a Presidente da República, é uma vida muito solitária”.

Abordada na entrevista conduzida por Ricardo Costa e Bernardo Ferrão foi ainda a situação política nacional. Aqui, o Presidente rejeitou a ideia de impasse ou de bloqueio, dizendo mesmo que “não há bloqueio algum”. Para o chefe do Estado, “é importante que o Governo tenha condições para governar” e a situação política nacional está longe de estar num impasse.

“Não sejamos pessimistas”, afirmou, quando questionado por Ricardo Costa e Bernardo Ferrão sobre se situações como a atual, em que a oposição se junta aos partidos da esquerda para chumbar uma medida do Governo (no caso, a baixa da TSU) não pode ser repetida, por exemplo, nas PPP para a área da Saúde.

Neste caso, recorde-se que o Expresso noticiou este fim de semana que o PSD se prepara para se juntar ao PCP e ao BE caso estes partidos levem ao Parlamento as Parcerias Público-Privadas para os hospitais de Cascais e Braga.

O mesmo otimismo foi manifestado pelo Presidente em relação a problemas como a dívida ou o défice. Realçou, por exemplo, a forma como o défice tem “diminuído de forma consistente”.

Outro assunto abordado na entrevista à SIC foi a situação delicada da banca nacional. Aí, Marcelo realçou a forma como se conseguiu ultrapassar a situação da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos. Sobre o Novo Banco, disse achar “que há vários caminhos possíveis”.

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