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Passos travou apoio
 a Cristas em Lisboa

alberto frias

Líderes distritais do PSD e do CDS já tinham acordo. Concelhia do PSD-Lisboa insiste com José Eduardo Martins

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Os líderes distritais do PSD e do CDS de Lisboa já tinham chegado a um entendimento, Assunção Cristas já lhe tinha dado o aval, mas Pedro Passos Coelho travou tudo — a possibilidade de uma coligação autárquica em Lisboa liderada pela líder do CDS foi inviabilizada pelo presidente do PSD, apurou o Expresso junto de responsáveis de ambos os partidos.

Este facto, a que se juntou a questão de Passos ter assumido publicamente essa rutura sem antes falar com a sua antiga ministra, esfriou muito as relações entre os presidentes dos dois partidos que estiveram juntos no Governo até 2015. Ao ponto de, conforme noticiou o Expresso Diário, Cristas ter tomado a iniciativa de questionar diretamente Passos, lamentando que este não lhe tenha dado uma palavra antes de anunciar que em Lisboa iria cada um para o seu lado.

Apesar de Passos ter assumido que o PSD terá um candidato próprio em Lisboa, esse candidato ainda não está definido. A aposta mais recente do líder social-democrata foi o independente José Eduardo Moniz, com quem o coordenador autárquico do PSD manteve contactos. No entanto, o ex-diretor da RTP e da TVI, e atual dirigente do Benfica, acabou por recusar. O PSD continua a testar nomes e a fazer contactos, tanto dentro como fora do partido. Conforme o Expresso noticiou, o independente Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal, deverá integrar a lista, mas não como candidato a presidente da câmara.

Concelhia quer Martins

O processo de Lisboa está a ser conduzido pela direção do PSD e acompanhado pela distrital, mas a concelhia, dirigida por Mauro Xavier, não quer ser confrontada com factos consumados. Por essa razão, e enquanto assiste ao desfiar de nomes, Xavier voltou esta semana a desafiar José Eduardo Martins para que se disponibilize para disputar a principal autarquia do país. O ex-deputado e antigo secretário de Estado está a coordenar a elaboração de um programa eleitoral para Lisboa, a pedido da concelhia, mas tem recusado sempre as abordagens para ser candidato. Até porque é um dos principais críticos de Passos dentro do PSD e o líder do partido não deu qualquer sinal de que veria com bons olhos a sua escolha.

Apesar desta resistência, a concelhia voltou a insistir para que Martins seja o adversário de Fernando Medina. E, ao que o Expresso apurou, a recusa não terá sido tão definitiva como noutras ocasiões.

Fechada definitivamente a porta a um acordo com o PSD em Lisboa, e consciente que o surgimento de um segundo candidato à direita torna ainda mais difícil a possibilidade de vitória contra o atual presidente de Câmara, Assunção Cristas prossegue a campanha nas ruas. Ainda ontem a candidata visitou outro bairro social da capital (tem sido uma constante na sua atividade pré-eleitoral) e, nas próximas semanas, realiza mais duas conferências da série “Ouvir Lisboa” (uma sobre cultura e outra sobre habitação). Agora que já não tem de esperar pelos sociais-democratas (e pela negociação dos lugares nas listas), deverá conhecer-se em breve a equipa que a vai acompanhar no boletim de voto.

O facto de ter falhado a coligação PSD/CDS para a Câmara de Lisboa não significa que as distritais dos dois partidos não continuem a trabalhar num entendimento para outros concelhos. Mas as negociações não estão fáceis. Em autarquias onde as conversas pareciam bem encaminhadas para um acordo entre os dois partidos (como são os casos de Oeiras ou Sintra), verifica-se neste momento um impasse.