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Passos Coelho. “Que se entendam e não atirem a culpa para cima de nós”

HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Pedro Passos Coelho não falou da TSU, até disse que o PSD “não vota contra só por votar”, mas lembrou que o Governo de António Costa não ganhou as eleições e depende de um acordo parlamentar com o PCP e o BE. E é com estes partidos que se deve entender

Marta Caires

Jornalista

Pedro Passos Coelho abriu o congresso do PSD-Madeira, veio dar o apoio a Miguel Albuquerque, o homem da mudança na Região, mas depois dos elogios e cumprimentos o discurso guinou para o "contexto nacional". O líder dos sociais-democratas não se referiu à TSU, mas foi claro quando explicou, "por uma questão de higiene política", que não vale a pena ao governo de António Costa tentar olhar para o PSD "como o parceiro que lhe faz falta".

O PSD ganhou as eleições em 2015 e foi uma aliança entre socialistas, comunistas e do BE que inviabilizou um governo liderado por Passos Coelho. E Pedro Passos Coelho não esqueceu o facto, fez questão de o lembrar este sábado no Funchal. O governo do PS não ganhou as eleições, tem apenas legitimidade parlamentar e por isso mesmo os acordos, os entendimentos devem ser feitos com esses partidos.

Se há um ano eram bons, "não eram radicais" e eram bons para a coesão e estabilidade. Se era assim então a resposta do líder do PSD é clara: "que se entendam e não atirem a culpa para cima de nós sempre que não se entenderem". O estilo e o discurso de Passos Coelho não vai mudar, apesar de ter sublinhado que o partido "não vai contra só por votar". Certo é que os entendimentos não serão simples, até porque o quadro político não é o mesmo dos tempos dos governos socialistas sem maioria absoluta.

E Passos repete, insiste e sublinha: foi o PSD que ganhou as eleições, é o maior partido português. "Não vamos dourar a pílula ou mudar a nossa conversa, nem nos deixaremos seduzir pelos nacionalismos mais primários". Um dia após a tomada de posse de Donald Trump, o líder social-democrata quis deixar preto no branco que o partido é progressista, contra os nacionalismos primários, o fechamento económico e social. O PSD, disse, é cosmopolita, social-democrata e pela afirmação de Portugal à escala global.

Sem mudar a conversa e sem dourar a pílula, o presidente nacional do partido deixou a certeza que retornará ao governo. "Sei que voltaremos a ter a oportundidade de acrescentar futuro a Portugal". Futuro que, por enquanto, vê com preocupação e sem o optimismo do Governo, o mesmo que considerou como o mais revanchista cuja ambição neste ano foi reverter as reformas.

O homem da mudança

Pedro Passos Coelho não esqueceu a sala onde estava, no Funchal, no congresso do PSD-Madeira, ao lado de Miguel Albuquerque, o homem da mudança de ciclo no governo e no partido e não poupou elogios sobre os sucessos do novo executivo, a boa gestão financeira e a capacidade de conciliar o passado com o futuro.

A sessão de abertura do XVI Congresso do PSD-Madeira fechou com o discurso de Miguel Albuquerque e o "homem da mudança" fez uma intervenção a pensar nas autárquicas, que o partido quer ganhar contra candidatos da oposição que ou fazem de vítimas ou vivem apenas de imagem. As palavras mais duras foram, no entanto, para os críticos anónimos, os que escrevem em blogues e são incapazes de ir a um debate interno.

O partido, garantiu, é aberto e aceita críticas, até porque ninguém é perfeito, nem o governo é perfeito. Pelo menos os que lidera não são, disse. O sinal de que todos são bem acolhidos é que Guilherme Silva, apoiante de Jardim e afastado por Miguel Albuquerque das listas de candidatos à Assembleia da República, encabeça a lista ao conselho regional do PSD-Madeira.