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Marques Mendes: “Uma crise política este ano acho mesmo impossível”

Comentador da SIC antecipa um ano mais “crispado” e “radical” em termos políticos, que já começou com a polémica da TSU. Mas descarta uma crise política por várias razões

Para Luís Marques Mendes, a discussão da TSU esta semana no Parlamento ofuscou o anúncio de que o défice de 2016 ficará nos 2,3% ou mesmo abaixo desse valor, sublinhando que isso é uma ótima notícia para o país.

“É um excelente resultado. Abaixo de todas as previsões, abaixo da meta prevista no Orçamento, abaixo do objetivo imposto por Bruxelas. É uma boa notícia para Portugal e para o Governo”, afirmou o antigo líder do PSD no seu habitual espaço de comentário na SIC.

Marques Mendes frisou que isso permitirá que o país saia nos próximos meses do Procedimento por Défice Excessivo e pode ajudar também a restaurar a confiança dos investidores e a contribuir para a descida dos juros da dívida. “É o défice mais baixo de sempre. Há um ano ninguém acreditava que o défice pudesse ficar nesse valor. Menos défice significa menos dívida e menos dívida significa menos impostos.”

Sobre a TSU, o comentador disse não ter dúvidas que na próxima semana será chumbado o decreto-lei do Governo no Parlamento e avançado um plano B. “Acho que António Costa tem que agir com rapidez, este episódio fragiliza o Governo.”

Ainda assim, Marques Mendes não considera que o caso da TSU seja suficiente para conduzir a uma crise política – que seria uma desastre em termos financeiros para o país – mas sim uma amostra do que se passará no futuro. E explica: “Porque este ano há eleições autárquicas e a vida política fica sempre mais radical e crispada. Faz parte do ritual, não há uma novidade em particular.”

Antecipando mais divergências na ‘geringonça’, Marques Mendes sustenta que o “PCP e o BE querem fazer prova de vida e mostrar que existem”, enquanto por outro lado o “PSD tem que se radicalizar para animar as hostes. Uma crise política este ano acho mesmo impossível”, concluiu.

Sobre a decisão do PSD de não apoiar a candidatura de Assunção Cristas a Lisboa, o ex-líder dos sociais-democratas considera que o partido terá mais dificuldade em encontrar um candidato popular. “Quem é que vai ficar em segundo lugar? Essa é que é a grande dúvida. (...) O Fernando Medina pode mandar já champanhe aos dois partidos pela ajuda inestimável que lhe deram”, ironizou.

Marques Mendes lembrou ainda que o que se passa na capital ao nível das autárquicas tem sempre uma influência positiva ou negativa no resto do país.