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Campo de Tiro de Alcochete poderá mudar-se para Mértola

José caria

Com a expansão do aeroporto Humberto Delgado, o Campo de Tiro de Alcochete pode ser obrigado a encerrar. Hipótese estudada em 2008 volta a ser discutida. Câmara de Mértola está “frontalmente contra”

A confirmar-se a abertura do aeroporto do Montijo a voos civis, com a extensão do Aeroporto Humberto Delgado, o Campo de Tiro situado em Alcochete deverá ser deslocalizado e Mértola volta a surgir como forte hipótese, apurou o Expresso.

Trata-se de um terreno na ligação do concelho de Mértola a Serpa, a nordeste do Pulo do Lobo, na margem esquerda do Guadiana, que já tinha sido estudado pela Força Aérea em 2008, quando era dada como certa a localização do novo aeroporto de Lisboa em Alcochete.

Tal como o Expresso noticiou em agosto, se o Governo decidir pela ampliação do aeroporto de Lisboa recorrendo à base aérea nº 6 da Força Aérea no Montijo isso obrigará a mudanças no dispositivo militar que, segundo contas do ramo, poderá chegar aos 400 milhões de euros. Neste valor, ainda não foi contabilizado qualquer impacto no futuro do Campo de Tiro de Alcochete.

Se houver mais do que 12 movimentos de voos comerciais por hora (uma aterragem/descolagem de cinco em cinco minutos) fica em causa a atividade do campo, garantiu ao Expresso fonte ligada ao meio. Ora, a ANA prevê esse número de movimentos logo num primeiro ano de atividade, podendo subir para 20 no segundo.

Deslocalizar o Campo de Tiro de Alcochete poderá engordar a fatura pelo menos em 250 milhões de euros, isto com base no tal estudo feito ainda no tempo do Governo de José Sócrates, quando se planeou construir um aeroporto de raiz na margem sul.

Na altura, os presidentes das câmaras de Mértola e de Serpa eram contra a instalação de um campo de tiro, alegando que para o local indicado pela Força Aérea estava prevista a construção de um grande empreendimento turístico. O projeto estendia-se pelos dois concelhos alentejanos e era da responsabilidade de promotores espanhóis.

Entretanto, o empreendimento nunca chegou a ser construído devido a “questões confidenciais”, justificou ao Expresso fonte do gabinete de comunicação da Câmara de Serpa, que atualmente recusa tomar qualquer posição sobre o tema.

No entanto, a Câmara Municipal de Mértola mantém-se “frontalmente contra” o investimento naquele local. “Continuam a existir outras razões. Esta hipótese é uma dupla asneira, que o nosso país não pode de forma alguma cometer nesta altura, e nem pode suportar. Temos um local aceite e a funcionar para o campo de tiro, em Alcochete, e temos uma infraestrutura construída em Beja, que pode ser uma excelente alternativa à sobrelotação da Portela”, justifica o autarca Jorge Rosa.

O presidente da Câmara sublinha ainda que a relocalização do campo pode colocar em causa o desenvolvimento das autarquias, “nomeadamente na vertente turística”, bem como a nível ambiental. “Há ainda a considerar a estratégia que o Governo tem tido para esta região, nomeadamente a criação da área protegida, a recuperação de diversas espécies em vias de extinção, que desapareceriam do local”, refere.

A Força Aérea, para já, nada quer dizer sobre Alcochete. Contactado o gabinete de relações públicas do Estado-Maior da Força Aérea (EMFA), a resposta sobre a futura localização foi: “Nada sabemos sobre isso.”

Segundo a informação dada ao Expresso, a hipótese de ‘transferência’ para Mértola foi colocada num cenário específico, com base “num estudo antigo”. Mas como não se concretizou a mudança do aeroporto, “não houve mais desenvolvimentos”.

Qualquer nova ponderação ou decisão dependerá, por isso, “do que vier a ser exigido - se é que o vai ser - em termos da utilização da Base Aérea do Montijo”.