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Ferreira Leite sobre a TSU: “É um sintoma muito nítido de que o Governo a três acabou”

TIAGO PETINGA/ Lusa

No habitual espaço de comentário, Manuela Ferreira Leite atribuiu a António Costa a responsabilidade pela situação criada em torno da descida da Taxa Social Única, acusando-o de ter “assinado um acordo que não era concretizável”

Manuela Ferreira Leite considerou que a discussão em trono da descida da Taxa Social Única (TSU) como um “sintoma de que o Governo a três acabou”. Esta quinta-feira, no habitual espaço de comentário na TVI 24, a antiga líder do PSD referiu que as posições opostas do Executivo e dos partidos que suportam a maioria no que toca a esta matéria pode “ter sequelas” e é “uma machadada na credibilidade solução” governativa.

“Acho que é um sintoma muito nítido de que o Governo a três acabou”, disse Ferreira Leite. “Funcionou muito bem quando foram as reversões. Só que esses aspetos das reversões estão a acabar e começa-se a entrar, como se entrou agora, em algo que não é simplesmente o soundbite do aumento do salário mínimos”, acrescentou.

Para a ex-ministra das Finanças, o responsável pela situação é António Costa, que assinou um acordo com os parceiros sociais, “sabendo que não era concretizável” e “colocando a Concertação Social numa posição desagradável”.

“Não me recordo de alguma vez um acordo ser assinado pelos parceiros não ser concretizado”, referiu. “Ninguém me convence que o primeiro-ministro não sabia que a contrapartida para os patrões aumentarem o salário mínimo era descida da TSU”, criticou.

Questionada se o Governo estava a contar com a abstenção do PSD na votação desta matéria, Ferreira Leite sublinhou que, a ser verdade, então os dois partidos deveriam ter falado anteriormente. “Admito que o raciocínio tenha sido esse, mas isso também não abona muito a favor do primeiro-ministro. Se foi esse o raciocínio, a primeira ou segunda coisa a fazer, ainda antes de assinar o acordo, era falar com Passos Coelho para saber se tinha o apoio. É isto que se faz em democracia”, defendeu.

Manuela Ferreira Leite deixou críticas à atuação do Bloco de Esquerda ao longo do processo. “Acho que BE é um partido com vocação de protesto. E é isso que está a fazer neste momento, porque defende o aumento do salário mínimo mas não concorda com a descida da TSU. O BE tomou a iniciativa de encher a cidade com cartazes sobre a subida do salário mínimo, quando por trás sabia que não ai aprovar. Querem o sol na eira e a chuva no nabal”, defendeu.

Para a comentadora existem outros sintomas de que a agenda da maioria está “esgotada”. O facto desta quinta-feira se ter estado a discutir no Parlamento se o Carnaval é feriado obrigatório, é um deles.

“Acha possível que no estado em que está o nosso país e o mundo, os nossos deputados estejam a decidir se o feriado do Carnaval é permanente? É um feriado sem importância e que só importa para aqueles que vão de férias para a neve. É uma proposta que surge desligada da realidade do país”, criticou.