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TSU: Passos diz que PSD não irá resolver problema criado pelo Governo

Luis Barra

Passos Coelho lembra que o Governo “soube atempadamente que não teria nos partidos mais à esquerda voto para honrar o compromisso” assumido na Concertação Social. “Aquilo é assim uma espécie de feira de gado. E depois o PSD que resolva os problemas. Não será assim”, disse o líder dos sociais-democratas


Pedro Passos Coelho acusou esta tarde o Governo de encarar mesmo a Concertação Social como "uma espécie de feira de gado", assumindo nas negociações com patrões e sindicatos compromissos que "soube atempadamente que não teriam nos partidos mais à esquerda o voto para honrar".

A polémica sobre o acordo para a descida da TSU - acordada entre o Governo, os patrões e a UGT para compensar a subida do salário mínimo - foi introduzida no primeiro debate quinzenal de 2017 por Pedro Passos Coelho, que recorreu à polémica frase de Augusto Santos Silva para criticar o facto de o Governo já saber "que não ia ter o apoio do PCP e do BE para assumir o compromisso assumido na Concertação Social".

"Ou não leva a sério a concertação ou acha que tem uma possibilidade de reconverter a coerência dos partidos que apoiam", prosseguiu Passos Coelho, antes de justificar a decisão do PSD de também chumbar esta medida quando ela for discutida no Parlamento.

"Aquilo [a concertação] é assim uma espécie de feira de gado. E depois o PSD que resolva os problemas quando os outros não estão disponíveis. Não é assim, não será assim. Os senhores têm uma coligação no parlamento. Quando não se entenderem entre si não venham depois disparar para o PSD", disse, justificando o chumbo do PSD à descida da TSU com o facto de essa medida "institucionalizar um desconto para pagar o que os senhores decidem com o BE" e de esta decisão ser "uma perversão" e um "convite ao salário mínimo nacional".

Estas palavras do líder social-democrata surgiram em resposta às acusações de António Costa sobre a "cambalhota" que o PSD deu em relação à TSU. "Procura disfarçar que de abril para agora mudou de posição, porque agora não quer viabilizar o que viabilizou em abril. E desautoriza o seu vice-presidente [Marco António Costa] que em 23 de dezembro até queria alargar a medida para as IPSS e agora já nem a quer para as empresas", criticou Costa, depois de desvalorizar a divergência de opiniões entre Governo, BE e PCP em relação à TSU.

"Não há qualquer desentendimento entre governo, BE e PCP. Neste tema do salário mínimo e da TSU, o único agente politico que é incoerente consigo próprio é vossa excelência e o seu partido. BE e PCP são contra como sempre foram. E vão coerentemente fazer o que fariam. O Governo faz o que acordou - aumentar o salário mínimo - e faz o que prometeu, que era negociar na concertação. Vossa excelência é que não faz uma coisa nem outra porque deu uma cambalhota e porque tem como critério fazer o contrário do que o Governo faz".