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Presidente do Parlamento Europeu é escolhido hoje entre seis candidatos

O italiano Antonio Tajani, candidato do PPE, é tido como o mais provável vencedor das eleições desta terça-feira no Parlamento Europeu

CHRISTIAN HARTMANN / Reuters

Guy Verhofstadt, ex-primeiro-ministro belga e líder do grupo dos liberais, decidiu retirar a sua candidatura e apoiar Antonio Tajani, candidato do PPE, tido como o mais provável vencedor das eleições desta terça-feira no Parlamento Europeu, em Estrasburgo

Raquel Albuquerque

Raquel Albuquerque

em Estrasburgo

Jornalista

Há agora seis candidatos a presidente do Parlamento Europeu, para suceder ao alemão Martin Schulz, numa votação que decorrerá esta terça-feira sem sessão plenária, em Estrasburgo. O belga Guy Verhofstadt, líder do grupo dos liberais, anunciou ter retirado a sua candidatura e o grupo irá apoiar Antonio Tajani, candidato do PPE, que é tido neste momento como o mais provável vencedor destas eleições.

O jornal "Politico" avança que em causa está um acordo feito entre o PPE e o grupo dos liberais (ALDE). Nele terá sido estabelecido que Guy Verhofstadt retiraria a sua candidatura em troca da Conferência dos Presidentes das Comissões para o ALDE e que isso, portanto, asseguraria a vitória de Tajani nesta eleição. Contudo, o voto é secreto e é impossível assegurar desde já esse resultado. Neste momento, o PPE conta com 217 assentos no Parlamento, os socialistas com 189 e os liberais com 68.

Antonio Tajani, 63 anos, próximo de Silvio Berlusconi, chegou a ser porta-voz do primeiro-ministro italiano, foi eurodeputado durante 14 anos, ex-comissário da equipa de Durão Barroso e ex-vice-presidente da Comissão Europeia.

Ao longo do dia de hoje, os 751 deputados do Parlamento Europeu irão votar secretamente num dos seis candidatos. A votação arrancou esta manhã e poderá chegar a um máximo de quatro voltas. Para que um candidato pudesse ganhar à primeira volta teria de ter maioria absoluta (377 votos dos 751). Se no final da terceira ronda não houver vencedor, passam os dois candidatos com mais votos à quarta votação. Se mesmo assim houvesse empate, venceria o mais velho.

Os eurodeputados portugueses António Marinho e Pinto (ALDE) e Ricardo Serrão Santos (S&D) são dois dos oito escrutinadores tirados à sorte entre os eurodeputados para acompanhar o processo de votação e proceder à contagem dos votos.

Para além do candidato do PPE, Tajani, os restantes seis nomes foram propostos por outros seis grupos políticos. O candidato do grupo dos socialistas e democratas (S&D), segundo grupo mais votado, é Gianni Pittella. Pelo grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus, é avançada a candidata belga Helga Stevens. A britânica Jean Lambert é a candidata dos Verdes enquanto a Esquerda Unida, a que pertence o Bloco de Esquerda e o PCP, avança outra candidata italiana - Eleonora Forenza. O Partido da Europa das Nações e da Liberdade, que representa a extrema-direita, propôs o romeno Laurenţiu Rebega para liderar o Parlamento.

Nas intervenções iniciais de apresentação, ainda antes do arranque da votação, Antonio Tajani falou das suas prioridades se chegar a presidente. "Acredito na Europa, mas temos de mudar. Precisamos de um Parlamento forte e precisamos de um bom presidente, um bom orador, um bom presidente que trabalhe em nome de todos", afirmou. "Ponho-me à disposição de defender a vontade do Parlamento perante o Conselho e a Comissão", acrescentou, fazendo referência a temas como o combate ao terrorismo, as migrações, as alterações climáticas, a agenda digital, o Brexit e o desemprego. "Não tenho um programa a apresentar porque o presidente não pode ter um programa pessoal", concluiu.

Uma eleição diferente

Pela primeira vez em muito tempo desfez-se o entendimento prévio entre os dois maiores grupos políticos europeus, PPE e S&D, de apoiarem o mesmo candidato à presidência do Parlamento Europeu. Portanto, a votação arranca sem que se saiba de antemão o vencedor e há quem veja nisso um “regresso da política” à instituição europeia.

O acordo existente previa que o atual presidente, o alemão Martin Schulz do grupo dos socialistas e democratas (S&D), fosse substituído por um candidato do PPE, em quem os socialistas votariam esta terça-feira. O nome escolhido pelos populares foi o de Antonio Tajani. Porém, os socialistas avançaram com um candidato próprio: Gianni Pittella, 58 anos, médico, ex-deputado em Itália e membro do Parlamento Europeu desde 1999.

Na semana passada o ambiente ficou mais tenso, com trocas de acusações entre os dois grupos políticos. O pico aconteceu quando o presidente do PPE, Manfred Weber, divulgou o acordo – que afinal era escrito e não apenas verbal - e que foi assinado em 2014 pelo PPE e o S&D, ao qual se juntaram os liberais (ALDE), liderados por Guy Verhofstadt.

O presidente é eleito por dois anos e meio. Schulz foi o primeiro presidente da história do Parlamento a exercer dois mandatos seguidos, de 2014 a janeiro de 2017, e com a saída da instituição europeia irá regressar à política alemã.

[notícia atualizada às 9h46]