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PS lamenta triunfo de “coligação de mercearia de interesses”

Às críticas deixadas pelo eurodeputado socialista Carlos Zorrinho à eleição do candidato do Partido Popular Europeu, o italiano Antonio Tajani, como presidente do Parlamento Europeu, somam-se as posições do PCP e BE, que dizem não ter “grandes expetativas

O eurodeputado socialista Carlos Zorrinho criticou esta noite a "coligação de mercearia de interesses" que levou à eleição do candidato do Partido Popular Europeu, o italiano Antonio Tajani, como presidente do Parlamento Europeu (PE).

"A Europa precisa de clarificação e o candidato que apoiávamos (o socialista italiano Gianni Pitella) apresentava uma plataforma progressista, mas, infelizmente, foi derrotado por uma coligação de mercearia de interesses, que somou pessoas que até há pouco tempo defendiam os Estados Unidos da Europa a outras que proporcionaram que a Inglaterra saísse da União Europeia", afirmou Carlos Zorrinho, em Estrasburgo.

O chefe da delegação portuguesa dos Socialistas & Democratas (S&D) referia-se ao apoio prestado a Tajani pelo belga Guy Verhoftasdt (Aliança Liberais e Democratas Europeus) e e pelos Conservadores e Reformistas Europeus.

"Esta candidatura simboliza aquilo que de pior marcou os últimos anos e o presente da União Europeia. Até pelo acordo que conhecemos entre PPE e liberais, que reafirma as políticas levadas a cabo, aquilo que há a esperar é a persistência dessas políticas", condenou também o comunista João Ferreira, criticando "a grande coligação direita, mas também a social-democracia, os socialista europeus, cujo candidato era "igualmente comprometido".

A deputada bloquista Marisa Matias, igualmente incluída, como o PCP, na Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde (GUE/NGL), lembrou que Tajani esteve envolvido "no escândalo das emissões poluentes da Volkswagen", além de ter sido "um dos braços direitos de Berlusconi (antigo primeiro-ministro italiano)".

"Não tenho grandes expetativas", resumiu, referindo-se ao PPE, Conservadores, Liberais e à Extrema-direita.

Tajani, que foi "vice" de Durão Barroso na Comissão Europeia, foi o escolhido apenas à última de quatro voltas ao longo do dia, com 351 votos face aos 282 de Pittella.

Na terceira volta, a belga Helga Stevens (Conservadores e Reformistas Europeus), primeira mulher surda belga a praticar advocacia, tinha sido a terceira posicionada, com 58 votos.

A italiana Eleonora Forenza, membro da comissão executiva da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde (GUE/NGL) - à qual pertencem PCP e BE -, foi a quarta, com 45, seguindo-se o romeno Laureniu Rebega (Europa das Nações e da Liberdade), com 44, e a britânica Jean Lambert (Verdes/Aliança Livre Europeia), com 35.

Além do substituto do socialista Martin Schulz, que vai concorrer ao parlamento alemão nas próximas eleições e pode vir a desafiar a chanceler Angela Merkel, os eurodeputados vão ainda decidir até quinta-feira sobre 14 vice-presidentes do PE, cinco gestores (administração do PE) e os membros das 22 comissões permanentes.

Portugal está representado no PE por 21 deputados, oito do PPE (seis do PSD, um do CDS-PP e um do MPT), oito dos S&D (PS), quatro da GUE/NGL (três do PCP, uma do BE) e um da ALDE (PRD).

  • Antonio Tajani é o novo presidente do Parlamento Europeu

    Quatro rondas de votações depois, o candidato do PPE vence as eleições para a presidência da instituição europeia com 351 votos, contra os 282 votos do socialista Gianni Pittella. O desentendimento prévio entre o PPE e a S&D deixa esta eleição marcada na história do Parlamento, num dia preenchido por um xadrez de negociações e decisões