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Eleição do presidente do Parlamento Europeu segue para a segunda volta

PATRICK SEEGER / EPA

O candidato do PPE, Antonio Tajani, segue à frente com 274 votos, mas não foram os suficientes para conseguir maioria absoluta na primeira volta. O socialista Gianni Pittella conta com 183 votos

Raquel Albuquerque

Raquel Albuquerque

em Estrasburgo

Jornalista

Sofia Miguel Rosa

Sofia Miguel Rosa

Jornalista infográfica

A primeira volta da eleição do presidente do Parlamento Europeu terminou sem nenhum vencedor com maioria absoluta, como já se esperava, seguindo agora para uma segunda ronda. O candidato do PPE, Antonio Tajani, segue à frente com 274 votos dos 683 considerados válidos na primeira volta, que decorreu esta terça-feira em sessão plenária em Estrasburgo.

Em segundo lugar está Gianni Pittella, candidato socialista, com 183 votos, seguido pela belga Helga Stevens, dos Conservadores e Reformistas Europeus, com 77 votos. A britânica Jean Lambert, dos Verdes, teve 56 votos; a italiana Eleonora Forenza, da Esquerda Unida, teve 50 votos e em sexto lugar na votação está o romeno Laurenţiu Rebega, do Partido da Europa das Nações e da Liberdade, com 43 votos.

"Nenhuma candidata ou candidato conseguiu a maioria necessária, portanto passaremos à segunda volta desta eleição", concluiu Martin Schulz, presidente cessante do Parlamento, confirmando que para a segunda volta se mantêm as mesmas candidaturas já apresentadas. A votação já arrancou e os novos resultados deverão ser conhecidos às 14 horas de Lisboa.

Nesta segunda ronda, o processo de votação volta a ser o mesmo. Cada um dos eurodeputados vota de forma secreta num dos seis candidatos. Na altura da contagem dos votos, serão apenas tidos em conta os votos válidos (retirados os nulos ou brancos). Dos 751 deputados que compõem o Parlamento Europeu, nesta primeira ronda foram considerados válidos 683 votos.

A votação poderá ainda estender-se a uma terceira ronda, que funcionará como a primeira e a segunda. Em caso de não haver vencedor, poderá haver uma quarta e última votação, para a qual passam apenas os dois candidatos mais votados. Em caso de empate nesta última votação, vence o mais velho, de acordo com as regras.

Negociações de última hora

Para esta eleição, chegaram a estar na corrida sete candidatos. Porém, o belga Guy Verhofstadt, líder do grupo dos liberais, anunciou esta terça-feira ter retirado a sua candidatura, confirmando que irá apoiar Antonio Tajani, candidato do PPE, que é tido neste momento como o mais provável vencedor destas eleições.

O jornal "Politico" avança que em causa está um acordo feito entre o PPE e o grupo dos liberais (ALDE). Nele terá sido estabelecido que Guy Verhofstadt retiraria a sua candidatura em troca da Conferência dos Presidentes das Comissões para o ALDE e que isso, portanto, asseguraria a vitória de Tajani nesta eleição. Contudo, o voto é secreto e é impossível assegurar desde já esse resultado. Neste momento, o PPE conta com 217 assentos no Parlamento, os socialistas com 189 e os liberais com 68.

Antonio Tajani, 63 anos, próximo de Silvio Berlusconi, chegou a ser porta-voz do primeiro-ministro italiano, foi eurodeputado durante 14 anos, ex-comissário da equipa de Durão Barroso e ex-vice-presidente da Comissão Europeia.

Nas intervenções iniciais de apresentação, ainda antes do arranque da votação, Antonio Tajani falou das suas prioridades se chegar a presidente. "Acredito na Europa, mas temos de mudar. Precisamos de um Parlamento forte e precisamos de um bom presidente, um bom orador, um bom presidente que trabalhe em nome de todos", afirmou.

"Ponho-me à disposição de defender a vontade do Parlamento perante o Conselho e a Comissão", acrescentou, fazendo referência a temas como o combate ao terrorismo, as migrações, as alterações climáticas, a agenda digital, o Brexit e o desemprego. "Não tenho um programa a apresentar porque o presidente não pode ter um programa pessoal", concluiu.

O presidente do Parlamento Europeu será eleito por dois anos e meio. Schulz foi o primeiro presidente da história do Parlamento a exercer dois mandatos seguidos, de 2014 a janeiro de 2017, e com a saída da instituição europeia irá regressar à política alemã.

Quebra do acordo

Estas eleições ficam marcadas pelo 'desentendimento' entre os dois maiores grupos políticos europeus, o PPE e o S&D, no sentido de apoiarem o mesmo candidato à presidência do Parlamento Europeu.

O acordo previa que o atual presidente, o alemão Martin Schulz do grupo dos socialistas e democratas (S&D), fosse substituído por um candidato do PPE, em quem os socialistas votariam esta terça-feira. Porém, os socialistas avançaram com um candidato próprio: Gianni Pittella, 58 anos, médico, ex-deputado em Itália e membro do Parlamento Europeu desde 1999.

Na semana passada o ambiente ficou mais tenso, com trocas de acusações entre os dois grupos políticos. O pico aconteceu quando o presidente do PPE, Manfred Weber, divulgou o acordo – que afinal era escrito e não apenas verbal - e que foi assinado em 2014 pelo PPE e o S&D, ao qual se juntaram os liberais (ALDE), liderados por Guy Verhofstadt.

Assim, a votação arrancou esta terça-feira sem que o vencedor fosse previamente conhecido. O jornal "Politico" chegou a considerar este momento como um “regresso da política” ao Parlamento Europeu.

[notícia atualizada às 12h23]