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Eleição do presidente do Parlamento Europeu passa para a terceira ronda

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O candidato do PPE, Antonio Tajani, continua à frente com 287 votos. Só as 18 horas de Lisboa serão conhecidos os resultados desta terceira volta das eleições

Raquel Albuquerque

Raquel Albuquerque

em Estrasburgo

Jornalista

Ainda não foi à segunda volta que os deputados do Parlamento Europeu conseguiram eleger o novo presidente e sucessor de Martin Schulz. O candidato do PPE, Antonio Tajani, continua à frente mas sem maioria absoluta. A votação passa agora à terceira ronda, em sessão plenária em Estrasburgo.

Tajani conseguiu agora 287 votos, acima do candidato socialista Gianni Pittella, com 200 votos, seguido por Helga Stevens, belga, dos Conservadores e Reformistas (66), a britânica Jean Lambert dos Verdes (51), o romeno Laurenţiu Rebega do Partido da Europa das Nações e da Liberdade (45) e a italiana Eleonora Forenza da Esquerda Unitária (42 votos).

A próxima ronda de votação terá início perto das 16h30 (hora de Lisboa) e o resultado só deverá ser conseguido por volta das 18 horas. Se não houver nenhum candidato com maioria absoluta, é possível ainda passar para uma quarta e final ronda só com os dois candidatos mais votados. Se houver um empate entre os dois, o que é pouco provável, vencerá o mais velho.

Sublinhe-se que para além desta, só por outras duas vezes é que foi preciso chegar a uma terceira volta numas eleições para o presidente do Parlamento Europeu. Foi o que aconteceu em 1987 e 2002.

Com base nos dados desta votação, conclui-se que dos 751 eurodeputados, contaram-se 691 votos válidos (ou seja, sem brancos nem nulos). Desse total, para conseguir uma maioria absoluta seriam necessários 346 votos, pelo que se poderá dizer-se que Tajani ficou a 59 votos de o conseguir.

Comparando com a segunda volta, Antonio Tajani teve agora mais 13 votos, enquanto o socialista Pittella conseguiu mais 17. A candidata belga Helga Stevens perdeu 11. O romeno Rebega, do partido de extrema-direita, ganhou mais dois votos enquanto Eleonora Forenza, candidata da Esquerda Unida perdeu oito votos.

Negociações de última hora

Para esta eleição, chegaram a estar na corrida sete candidatos. Porém, o belga Guy Verhofstadt, líder do grupo dos liberais, anunciou esta terça-feira ter retirado a sua candidatura, confirmando que irá apoiar Antonio Tajani, candidato do PPE, que é tido neste momento como o mais provável vencedor destas eleições.

O jornal "Politico" avança que em causa está um acordo feito entre o PPE e o grupo dos liberais (ALDE). Nele terá sido estabelecido que Guy Verhofstadt retiraria a sua candidatura em troca da Conferência dos Presidentes das Comissões para o ALDE.

Antonio Tajani, 63 anos, faz parte do partido Forza Italia, fundado e liderado por Silvio Berlusconi e chegou a ser porta-voz do primeiro-ministro italiano. O candidado do PPE foi eurodeputado durante 14 anos, ex-comissário da equipa de Durão Barroso - foi responsável pelas pastas da Indústria e Transportes - e foi também vice-presidente da Comissão Europeia.

Estas eleições ficam marcadas pelo 'desentendimento' entre os dois maiores grupos políticos europeus, o PPE e o S&D, no sentido de apoiarem o mesmo candidato à presidência do Parlamento Europeu.

O acordo previa que o atual presidente, o alemão Martin Schulz do grupo dos socialistas e democratas (S&D), fosse substituído por um candidato do PPE, em quem os socialistas votariam esta terça-feira. Porém, os socialistas avançaram com um candidato próprio: Gianni Pittella, 58 anos, médico, ex-deputado em Itália e membro do Parlamento Europeu desde 1999.

Na semana passada o ambiente ficou mais tenso, com trocas de acusações entre os dois grupos políticos. O pico aconteceu quando o presidente do PPE, Manfred Weber, divulgou o acordo – que afinal era escrito e não apenas verbal - e que foi assinado em 2014 pelo PPE e o S&D, ao qual se juntaram os liberais (ALDE), liderados por Guy Verhofstadt.

Assim, a votação arrancou esta terça-feira sem que o vencedor fosse previamente conhecido. O jornal "Politico" chegou a considerar este momento como um “regresso da política” ao Parlamento Europeu.

[notícia atualizada às 14h34]