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Azeredo Lopes sobre a ida dos Comandos para a RCA: “Os riscos estão controlados tanto quanto possível”

António Cotrim / Lusa

Ministro da Defesa foi ao Regimento de Comandos despedir-se dos militares que seguiram esta madrugada para a República Centro-Africana, onde integrarão a força de imposição de paz da ONU. E não escondeu que se trata de “um teatro de operações exigente”

Carlos Abreu

Jornalista

O ministro da Defesa reconheceu esta segunda-feira à noite que os 160 militares portugueses vão apoiar a Missão Integrada Multidimensional de Estabilização das Nações Unidas na República Centro-Africana (Minusca) correm riscos que estão “controlados tanto quanto possível”.

Questionado pelos jornalistas no final de uma cerimónia de despedida no Regimento de Comandos, na Serra da Carregueira, sobre o eventual agravamento no nível de risco da missão, Azeredo Lopes começou por sublinhar “o regresso significativo de Portugal a forças de peacekeeping [imposição de paz]” para logo esclarecer que, “ponto de vista da avaliação do risco é, com certeza, um teatro de operações exigente”.

Por isso mesmo, lembrou o responsável pela pasta da Defesa, “as negociações com as Nações Unidas decorreram o tempo que tiveram que decorrer e só foram dadas por concluídas quando, ao nível operacional, o próprio chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas [general Pina Monteiro] deu a sua anuência à caracterização desta força”.

O Expresso sabe que Portugal exigiu, entre outros aspetos, o reforço estrutural das instalações destinadas aos militares portugueses, junto ao aeroporto Internacional da capital, Bangui, usadas até outubro pelos militares franceses ao serviço da ‘operação Sangaris’, que foi dada por concluída no final desse mês. Durante as negociações foram ainda exigidas por Portugal condições de evacuação sanitária por via aérea.

“É uma missão que tem risco, desde logo pelas circunstâncias atuais da República Centro Africana, estes riscos estão controlados tanto quanto possível, quer pela localização da força quer pela forma como se garantiu que os standards mais elevados de exigência, nomeadamente NATO, estivessem garantidos, quer na ação, quer no treino, quer na forma como [os militares portugueses] se vão articular com as restantes forças da Minusca”, acrescentou Azeredo Lopes.

De acordo com os dados disponíveis no site da ONU, entre setembro de 2014 e 31 de outubro de 2016 foram registadas 25 baixas na Minusca: 4 por acidente, 8 por doença, 12 por ato hostil e uma por outro motivo. Já este ano, as Nações Unidas lamentaram a perda de mais três capacetes azuis: dois marroquinos e um do Bangladesh.

Esta quarta-feira, dia 18, pelas 9h, o governante deverá dar conta aos deputados da Comissão de Defesa Nacional das eventuais alterações no nível de risco a que estão sujeitos os militares portugueses. Avançaram com este pedido de audição os deputados João Rebelo (CDS-PP) e Bruno Vitorino (PSD) depois de ter sido noticiado um relatório do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) que desaconselharia, por razões de segurança, o envio de militares portugueses para um país onde não teríamos interesses estratégicos.