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Autárquicas em Lisboa: Cristas pediu explicações a Passos

DIVÓRCIO. É oficial: Passos não apoia Cristas em Lisboa

alberto frias

Líder do PSD não comunicou à presidente do CDS que decidira não a apoiar em Lisboa. Foi Assunção Cristas que lhe ligou a perguntar se era verdade

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

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Jornalista da secção Política

Alberto Frias

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Fotojornalista

Na direção do CDS não se esconde a surpresa com a notícia, tornada oficial este fim de semana, de que o PSD não vai apoiar a candidatura de Assunção Cristas à Câmara de Lisboa. Ao que o Expresso apurou, a própria candidata só soube pela comunicação social da decisão final de Pedro Passos Coelho, a quem telefonou lamentando que não tenha sido avisada antes.

Nas últimas semanas intensificaram-se as conversas entre os dois partidos, a nível distrital e concelhio, e tudo parecia bem encaminhado no sentido de o PSD vir, afinal, a aliar-se ao CDS nas autárquicas na capital. Mas, no sábado, à margem de um jantar partidário na Covilhã, Passos Coelho pôs um ponto final no assunto: “Em muitos municípios concorremos coligados [com o CDS], há outros em que não houve coligação. É o caso de Lisboa - é um município onde não há coligação e o PSD não deixará de apresentar a sua candidatura à capital de distrito”.

Assunção Cristas não gostou de não ter sido informada previamente da decisão final do presidente do PSD. Afinal, desde que telefonou a Passos no dia (início de setembro) em que decidiu anunciar a sua candidatura à Câmara de Lisboa, não tinham voltado a falar. Nem mesmo quando Pedro Santana Lopes comunicou que não era candidato os telefones soaram no largo do Caldas. Entre os centristas começou a consolidar-se a convicção que, sem um nome forte para propor a votos contra Fernando Medina, o PSD acabaria mesmo por se aliar ao CDS e fazer campanha por Cristas. E com esse cenário por pano de fundo entabularam-se negociações, ainda que “informais”, entre a estruturas distrital e concelhia tendo em vista um “acordo global”.

alberto frias

O facto de o CDS não estar disponível para incluir o Porto nesse acordo pode ter sido determinante para abortar a aliança em Lisboa. Cristas, recorde-se, anunciara a renovação do apoio ao independente Rui Moreira já em março (no congresso do partido que a investiu na liderança), mas a formalização deste apoio pela distrital e concelhia da Invicta só aconteceu na semana passada. Ao Expresso, fonte da direção centrista garante que o Porto nunca esteve na “ementa” das conversas autárquicas entre os dois partidos, que o PSD nunca a invocou como “condição” para o apoio a Cristas em Lisboa.

O vice-presidente do CDS Adolfo Mesquita Nunes disse no domingo à Lusa que o partido “respeita a decisão do PSD de não se juntar ao CDS” em Lisboa, “mantendo ambição máxima” na candidatura de Assunção Cristas. Mas no Caldas sabe-se bem que as hipóteses de uma vitória em Lisboa diminuem consideravelmente a partir do momento em que o PSD avançar com um candidato próprio à autarquia.